Editorial 04 de julho de 2019

Fátima Anjos

2019-07-04

Partilhe:


Esta terça-feira esteve de visita a Vizela uma delegação do Instituto dos Registos e Notariado, depois do Município de Vizela ter comunicado à Ministra da Justiça a situação vivida a nível local, com longas filas de espera, verificando-se ainda a exiguidade nas instalações.

Pela positiva destacar a disponibilidade demonstrada e a celeridade com que as entidades competentes se deslocaram à nossa cidade para perceber in loco o que é que estaria em causa. Difícil agora será digerir o facto da responsável máxima desta comitiva se ter dirigido a Vizela como sendo um dos casos mais felizes. Mesmo estando a referir-se à disponibilidade dos recursos humanos existentes, o que é um facto é que continua a ser muito difícil aceder aos serviços associados à Conservatória do Registo Civil de Vizela. Se no resto do país, a situação ainda é pior, é porque algo vai muito mal em Portugal. 

A maioria, aquela a quem se pede maioria absoluta, já terá percebido que não basta dizer que se reduziu ao défice é urgente investir nos serviços públicos nos seus recursos humanos mas também nos técnicos. 

Existe, por esta altura, uma grande sensação de perda de qualidade dos serviços prestados, a maioria das vezes não por culpa dos prestadores, mas porque são efetivamente poucos para tantas solicitações. Afirmam estar exaustos. Acontece nos hospitais, nas escolas e agora em serviços como o dos Registos ou das Lojas do Cidadão. 

Quem fica a perder somos todos nós. Em determinadas áreas e quem tem essa possibilidade recorre ao privado e é este o setor que tem ganho força. Alguns dizem que é esse o objetivo! Mas não é esse o desígnio da nossa Constituição que assume a igualdade no acesso a serviços primordiais ao desenvolvimento da sociedade portuguesa como uma das suas principais bandeiras.

Mas lembrar ainda que esta terça-feira foi proposto pelo atual Executivo a Filomena Rosa, presidente do Conselho Diretivo do Instituto dos Registos e Notariado, uma mudança de instalações para o Edifício-sede, mais propriamente para o local, onde já estiveram localizados os Serviços Sociais, junto ao balcão da Vimágua.

Entendeu a responsável que as caraterísticas das instalações não correspondem ao que se pretende para um serviço como o Registo Civil. Deveria, por isso, esta entidade apresentar agora uma alternativa, até porque todos conhecemos as atuais instalações e as suas limitações, que acabam também por condicionar o descanso dos moradores daquela praceta. Uma situação que está a ficar insustentável. 

Não deverá, por isso, o atual Executivo baixar os braços e dar a batalha como perdida. Sendo Vizela ou não “um caso feliz”, a verdade é que os vizelenses merecem melhor!