Editorial 04 de janeiro de 2017

Fátima Anjos

2018-01-04

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Tenho dois amigos, cujas relações começaram com um murro na mesa. Domingos Vaz Pinheiro foi um deles. Mas rapidamente as diferenças, aquelas que surgem quando existe uma grande distância entre gerações, se dissiparam, porque percebemos que em comum tínhamos e temos, é assim que gosto de pensar, o amor por esta terra e o desejo de ver a Rádio Vizela a crescer.

Nunca deixo de olhar para o futuro, tentando sempre viver ao máximo o presente, mas tendo sempre a perfeita noção da importância de respeitar o passado. Isto para dizer o seguinte: Se hoje estou a escrever estas palavras, dirigindo um jornal, que é propriedade de uma Cooperativa de Radiodifusão, é porque houve um punhado de homens, entre os quais esteve Domingos Vaz Pinheiro, que lançou este projeto para o terreno, apostando “às escuras” na sua viabilidade, mas proporcionando ao povo desta região, o que de melhor uma sociedade democrática pode ambicionar - liberdade de se exprimir. Obrigada Domingos Vaz Pinheiro!

Não se trata apenas daquele elogio fácil, a que alguns dão por nome de elogio fúnebre. Não. O que não se pode é esconder por debaixo de uma capa a obra de um homem que foi sempre visionário. Soube pensar à frente, ser exigente, ciente de que nem sempre agradaria a maioria, mas que conseguiu erguer um património difícil de igualar neste concelho. Isto porque não o fez apenas ao nível particular, mas porque acabou por dedicar parte da sua vida ao associativismo vizelense, destacando-se as suas passagens pelo FC Vizela e Bombeiros Voluntários mas também o seu papel na criação do Rotary de Vizela, clube ao qual se deve o impulso que resultou na fundação da AIREV e que continua a dedicar-se àquilo que designamos como obra social e que muitas vezes não é possível medir em números.

Quando a história mais recente de Vizela for eternizada em livro o nome de Domingos Vaz Pinheiro terá direito a muitos capítulos e um dos mais longos deverá se debruçar sobre os 17 anos que dedicou da sua vida à Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Vizela, cuja obra fala por si.

Quando penso em Domingos Vaz Pinheiro, vejo um verdadeiro líder. Tanto sabia dar um murro na mesa, como no minuto seguinte também tinha a capacidade de reconhecer a capacidade, o mérito e a dedicação daqueles que o rodeavam. Assim cresceu e fez crescer Vizela. Não haverá dúvidas sobre isso.

Até sempre!