E OS CLUBES DIZEM AMEM?

Manuel Marques

2019-07-04

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Presumo que a grande maioria dos adeptos seguidores das equipas que competem no Campeonato de Portugal, tal como eu, ainda não estão refeitos do tremendo choque elétrico e anestesiante que recebeu na ponta final desta prova promovida pela “cevada” e capitalista Federação Portuguesa de Futebol. Foi mau demais. 

O balde de água gelada (ou os baldes pois foram em duas épocas consecutivas) foi de tal forma paralisante que hoje, perdoem-me, olho para a construção de um novo plantel com a mesma fé e emoção com que jogo semanalmente no Euromilhões ou seja: nenhuma. Acompanharei sempre o meu clube nem que um dia venha (Vadre retro) a competir no Futebol Popular, isto é o amor a falar, mas deixei de acreditar numa prova onde os primeiros acabam por ser os últimos. Diz a sabedoria popular que “À primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer e à terceira cai quem gosta”. Eu não gosto de cair assim. 

Surpreende-me ver equipas entregues a poderosos investidores entrarem no Campeonato de Portugal como carneiros a caminho do matadouro. Não há uma greve, um murro forte na mesa da FPF (num País onde há duas greves por dia inclusive dos blocos operatórios...) a barafustar contra as linhas que se cosem este horrível e estéril campeonato? 

Visto assim, os clubes que sonham e gastam balúrdios para atingir a II Liga aceitam o labirinto onde a Federação os enfia e já quando não há nada a fazer choram baba e ranho sobre o leite derramado. Não façam nada não...enquanto é tempo. 

É verdade que na próxima época o Vizela já não será eliminado pelo Vilafranquense (subiu sem ser campeão de série tal como o Casa Pia), e ambos não têm instalações desportivas para competir na II Liga, mas isto só não chega. Uma competição não pode ser uma roleta russa, uma pescada de rabo na boca, um boomerang ou o vidro duma janela onde as moscas procuram passar insistentemente para o outro lado sem conseguirem. 

É preciso agir. E com força ou então, bolas. 

Por último, parabéns ao FC Tagilde (foi bonita a festa pá) e autarquias por terem dotado o Campo Outeiro do Fogo num espaço onde até as crianças vão gostar de praticar futebol a partir de agora. 

Como cantava Zeca Afonso: “Nem tudo está podre no reino da Dinamarca”.