Dia Internacional da Mulher?

Agostinha Freitas

2018-03-08

Partilhe:


Estamos em pleno século XXI, mas acredito, que um dos maiores desafios contemporâneos ainda seja a árdua tarefa de ser mulher e conciliar a vida profissional com a vida familiar.
Sabemos que em Portugal anteriormente aos anos sessenta o papel da mulher estava claramente definido, ou seja, ser mãe, esposa ou dona de casa, relegada para um plano secundário na família e na sociedade em geral. Embora a Constituição de 1933 estabelecesse o princípio da Igualdade entre cidadãos perante a Lei, o documento fazia claramente referência às mulheres e às suas “diferenças”, resultantes da “sua” natureza e do bem da família. A lei portuguesa, atribuía assim uma série de incapacidades à mulher casada, tais como: “a mulher não tinha direito de voto, a mulher não tinha possibilidade de exercer nenhum cargo político, e, mesmo em termos da família, a mulher não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos”, designando o marido como chefe de família. 
Também em relação à escolha da profissão, a mulher deparava-se frequentemente com grandes limitações. Determinadas profissões eram-lhe completamente vedadas, pois estava tacitamente assumido que o acesso a sectores como a magistratura, a diplomacia e a política eram lugares para serem desempenhados apenas por homens. Eram também poucas, mas honrosas, as exceções das mulheres, que se aventuravam no mundo da ciência ou até aquelas, que pensavam em enveredar por uma vida empresarial, pois o seu papel quase sempre era o de ser coadjuvante do homem.
Hoje a mulher moderna está livre das amarras da lei que a mantinham “presa” a esses papéis e mostra-o nas profissões mais diversas: desde as mais usuais tais como, médicas, dentistas, advogadas, cientistas, professoras, empresárias, até às mais distintas como, agentes da polícia ou militares, motorista de pesados ou de táxi, política, magistradas, entre outras. 
Num mundo cada vez mais competitivo, continua no entanto a existir a necessidade da data do 8 de março- Dia Internacional da Mulher, para lembrar que os direitos das mulheres já deveriam estar numa situação de plena igualdade e de forma transversal na sociedade. 
Diversos indicadores mostram, que em certos casos de desempenho de iguais funções, o salário médio da mulher é inferior em 16,7% ao dos homens, o que significa que a diferença salarial de género em Portugal corresponde a uma perda de 61 dias de trabalho remunerado para as mulheres e em certos casos de altos cargos executivos, continuam a ser preteridas em relação ao sexo masculino, exclusivamente pelas restrições naturais que uma mulher com família possui, pois, e apesar da sociedade defender a divisão igualitária de tarefas entre marido e mulher, estas são desempenhadas maioritariamente por elas e quando um filho adoece, é mais solicitada, junto dele, a presença da mãe do que a do pai. 
Assim, enquanto o mundo continua em evolução e a sociedade procura dar resposta a tantos desafios e grandes problemas da humanidade, a mulher parece ser, por vezes, a grande esquecida, pois sobre ela ainda se colocam os problemas gerados pelas contradições contemporâneas, e as imagens sociais ainda são carregadas de desequilíbrios entre os papéis atribuídos aos homens e às mulheres. 
É neste contexto que o Dia Internacional da Mulher, faz todo o sentido em ser comemorado e lembrado por todos e todas nós, e deve ser de reflexão sobre, os caminhos a seguir, sobre o que fazer quanto à posição da mulher na sociedade no sentido de a ajudar a obter um maior equilíbrio entre a sua vida pessoal e profissional. 
Mas acima de tudo isto, que sejam também as mulheres as primeiras a assumir sem medo as suas escolhas, quer em casa, quer no trabalho, dando forma aos seus sonhos e ideias. É dentro de cada uma de nós, que reside esta força para defender aquilo em que acreditamos!