De pastora a escritora

Pedro Marques

2019-01-10

Partilhe:


Sendo estas as primeiras letras escritas neste ano de 2019, ao cair da tarde do seu primeiro dia, nestas de hoje, vamos dar continuidade ao que pretendemos escrever, ainda, sobre a poetisa escritora Dulcí Ferreira, natural, como referimos da freguesia de S. Joaninho e residente na de Farejinha, encravadas no seio das “Montanhas Mágicas”. Neste caso, as de Montemuro e Freita, separadas pelo rio Paiva.
Toda a região do Alto Douro Vinhateiro, Montemuro e Freita e Lapa -  não vamos inventariar aqui toso os escritores dessas regiões, dos clássicos aos actuais - podemos, todavia, referir os nomes de Aquilino Ribeiro; Miguel Torga e João de Araújo Correia.  E na poesia, por exemplo, temos, no entanto, outros escritores, uns mais conhecidos pelas suas obras e outros menos conhecidos. E como não podemos participar em todas as apresentações, gostamos de dar relevo àquelas nas quais nos foi possível estar presente. A enriquecer este alfobre de poetas e escritores, referimos uma poetisa residente em Vizela, mas natural de Lamego e que residiu até há pouco na Régua, até se transferir para a nossa Terra. É ela Ilda Pinto Ribeiro. Autora de vários livros de poemas a cuja apresentação de um dos vários nós estivemos presente.
Hoje, porém, é a escritora e poetisa Dulcí Ferreira que pretendemos levar de novo até si, leitor amigo. Autora já de vários livros que passamos a inventariar: “Na Companhia das Letras”, em 2011; “Envolvência”, em 2013; em 2016, publicou o romance “Rosas Brancas”; e agora no primeiro de Dezembro do ano findo, os livros de poesia e prosa poética “Utopias do Pensamento”, em dois volumes. Além destas obras, há a participação em bastantes antologias e menções honrosas atribuídas. E prémios até no âmbito do “conto” e do “poema”. E fazemos isto, porque, entretanto, foram surgindo afinidades no âmbito literário que tornaram mais próximas as terras de Castro Daire referidas e este nosso concelho de Vizela. 
Não vamos fazer uma análise crítica destas suas obras. Todavia, não deixaremos de respigar um ou outro apontamento dos respectivos prefácios. Começando, no entanto, por deixar a nossa opinião sobre o que é o escritor-poeta, que não se limita ao jogo de palavras seja no versejar livre, seja no versejar dentro da rima e da métrica. Se “poiesis” (poesia) é “fazer”, nem tudo o que se faz é poesia. E sendo-o, na sua forma, ela vai mais além: a poesia “É”. Faz parte do SER. E como parte do SER que “É” não tem limites: roça até pela clarividência e respira de SONHO. E por isso, em muitos poemas, o poeta é um “médium” que transporta para o verso vivências de outros mundos e de outros seres. E quando, muitas vezes erradamente, pensamos que o poeta, autor do que escreveu, está a transportar para o papel ou para o livro as suas vivências pessoais, ele apenas está a ser o instrumento de que Deus se serve pelo dom que ao poeta deu, de revelar sentimentos, dores, paixões, anseios, aspirações e frustrações que a sua alma sensível e predestinada sorveu da energia do Universo que também dá luz. No caso, à inteligência e ao pensamento através do que o poeta escreve e da leitura que depois se faz dos seus escritos. O pensamento é PALAVRA que o poeta ou o escritor concebem e dão a forma de livro no poder da comunicação. O que faz com amor, na medida em que “todos amam a sua Perfeição”(…) “A perfeição da vista é a cor, e a vista ama a cor; a perfeição do intelecto é a VERDADE e por isso tende para a VERDADE. O amor é (…) uma coisa que se dá entre nós (…)”  O amor pode-se manifestar por um abraço. Abraço que pode também ser a oferta de um livro. E a própria autora disto dá testemunho quando escreve -”talvez o que escrevo não tenha qualquer interesse. Talvez espremido não sobre mesmo nada, mas faço-o por amor e por paixão e até por vaidade, porque tudo o que se faz por amor é algo que nos envaidece muito (…)”
Porquê esta nossa referência à escritora e poetisa Dulcí? Já o afirmamos e vamo-nos repetir: porque há sintonia de sensibilidade e de sonhos; porque a Dulcí é uma escritora-poetisa que se moldou “a pulso”, vinda das origens de pastora de rebanhos nas Montanhas Mágicas do Montemuro. E “a pulso” conseguiu frequentar o Ensino Superior até à sua licenciatura académica.  porque, pelo menos nestas suas últimas três, as suas obras têm um objectivo filantrópico – a oferta do dinheiro das vendas a alguém carecido de um mínimo para viver com dignidade. Razões mais que suficientes para nós darmos um realce especial aos livros editados pela Dulcí.
São muito elogiosas, mas com fundamento, as referências feitas nos prefácios destes seus últimos três livros… “Quis o destino que a Dulcí Ferreira fosse bafejada com o talento (…) de brincar com as palavras, dar-lhe sentido e contar histórias com elas (…)” (Utopias do Pensamento, VolumeI I). “A qualidade do livro atinge estatuto de obra bem conseguida (…) Numa escrita corrida, sublime, prazenteira e leve, o leitor dá conta de vivências (…) transversais e familiares a todos aqueles que lerem o livro (…). “Esta Dulcí Ferreira é uma mistura de racionalidade e coração! (…) Através do pensamento, encontramos pulcros momentos de introspecção (…).(Utopias Vol. II)
Esta escritora e poetisa Dulcí Ferreira afirma-se vaidosa do que escreve. E nós sentimo-nos orgulhosamente vaidosos por termos sido convidados para fazer uma análise crítica ao seu livro “Rosas Brancas”, romance tido já como um “best-seller”. Como termos sido escolhido também para a revisão dos textos do segundo volume de “Utopias do Pensamento”.
Se parafraseando o POVO “santos ao pé da porta não fazem milagres” a qualidade e valor do que nós (a minha pessoa neste caso) escrevemos galgou distâncias e conquistou leitores.  Quem nos dera a nós termos apenas umas migalhinhas de todo o apoio logístico da Câmara de Castro Daire  dado a esta escritora e poetisa, assim como outros de outras câmaras que sabem dar valor aos VALORES concelhios  no âmbito da Literatura. E os promovem e projectam.
Estão de parabéns a escritora-poetisa Dulcí, não só pelo seu mérito, como também pelo carinho que a autarquia de Castro Daire lhe tem vindo a dar. Como de parabéns estão as autarquias sensíveis a estes VALORES, que os apoiam e promovem.


Com o abraço amigo de sempre.