Condene-se a mediocridade

José Borges

2018-05-30

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Jean de la Bruyère, célebre escritor do século dezassete, celebrizou a tese de que “Os lugares de direção ou chefia fazem maiores os grandes homens, e mais pequenos os homens pequenos”. Esta, aplica-se e classifica na perfeição, uma franja daqueles, que aos vários níveis, têm a responsabilidade de gerir as nossas instituições indiferentemente do quadrante a que pertençam. No que ao futebol diz respeito, e muito por culpa daqueles que se julgam as estrelas da corte, é degradante o estado da nação.Dirigentes de topo, quais objetos rastejantes, alimentam o ódio, ferem o espírito da competição recorrendo a fenómenos de corrupção. Semeiam maus ventos e recolhem as tempestades. 
Com sentimento de impunidade, desafiam a justiça e o poder constituído, que dificilmente se vai liberdade das amarras, que os prendem a um fenómeno de massas e das massas a quem ardilosamente tentam agradar para logo de seguida poderem contar com o seu apoio na conquista do poder. Simplesmente lastimável, o nível de promiscuidade reinante entre os dirigentes dos grandes Clubes e os políticos quase seus subordinados. 
É vê-los organizarem-se em grupos de apoio a este ou àquele presidente, dentro da Casa da democracia onde se “fabricam” as leis. 
Não venham agora hipocritamente proclamar lições de ética sancionatórias, quando no seu comportamento está subjacente todo o estado de coisas. Nas gerações que nos antecederam, o ódio assentava arraiais em questões de índole ideológica ou religiosa.  Hoje, tendencionalmente e de forma agravada, ser amigo é pertencer ao mesmo Clube e do lado de lá só “moram” inimigos. Elejam-se líderes que promovam o verdadeiro espírito das competições, e que possam ser reconhecidos como exemplo para as novas gerações. Sejamos exigentes e fortes na condenação da mediocridade reinante. Reconhecendo-se o papel e a importância dos grandes Clubes na nossa sociedade e na nossa economia, é hora do poder legislativo e judicial se libertarem de preconceitos e atuarem de forma responsável, para que se reponha a legalidade e recupere a imagem de um País que maioritariamente se revê no futebol e nos dirigentes dignos desses créditos. 

Localmente, os nossos Clubes vivem um merecido momento de pausa, avaliando e fazendo balanço dos seus resultados. Certamente conscientes das suas responsabilidades enquanto agentes no desenvolvimento da nossa comunidade e do seu passado histórico, os seus dirigentes irão com o apoio dos seus adeptos e seguidores estabelecer os seus planos e preparar a nova época com ambição.

Ficamos todos na expetativa.
Projetos renovados, quase sempre ganham força e energia.