Comer Asneiras

Domingos Pedrosa

2017-06-14

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…Todos os dias, é mau, muito mau. Portugal na Europa dos 27, é o quinto país com mais gordinhos e alguns bem anafados! 5% das  crianças entre os onze e os quinze anos têm excesso de peso, e, já é preocupante um em cada dez rapazes de onze anos, sofrer de obesidade, uma vez que está demonstrado que os adolescentes obesos correm mais risco de virem a ter cancro do cólon do que jovens com peso adequado à sua idade. São inúmeros os maus hábitos alimentares nos adolescentes perante a impassibilidade dos seus educadores - pais e professores – por uma lamentável incúria ou ignorância, se não, não acontecia isto: um em cada cinco adolescentes bebe bebidas açucaradas diariamente, e um em cada quatro come doces todos os dias.
A obesidade infantil é já um flagelo de saúde em todo o mundo, estando ligado ao desenvolvimento de doenças e à grande possibilidade de morrer antes dos 50 anos. Diz a médica Júlia Galhardo, que parte dos erros alimentares é devido a estarmos numa sociedade em que se vive a correr. Corremos de tal forma para tudo, que quando as pessoas vão ao supermercado, compram coisas meio fabricadas ou congeladas, enlatadas e mais enlatadas, práticas e baratas, só que depois, e às vezes nem muito tarde, têm um custo muito elevado. Têm porque se criam futuros cidadãos doentes. 
Diz Júlia Galhardo, que há crianças que o único prazer que têm, é comer, e erradamente. Chegam e esconder alimentos no quarto, como os esquilos: bolachas, batatas fritas de pacote, chocolates, refrigerantes… Mas há pais que, por terem vivido tempos de privações, quase louvam e aceitam este comportamento dos filhos. A médica não, e, até afirma, que há alimentos que não se deve ter em casa, fazem criar hábitos, e nada há mais difícil do que mudar maus hábitos, (os hábitos não se põem nem se tiram- diz a sabedoria popular) e na educação alimentar que tenta implementar, ela não abdica destas duas coisas: o pequeno-almoço tem de ser tomado em casa, e comer sopa ao almoço e ao jantar, além disto, ensina regras básicas, como a não misturar hidratos de carbono no prato, aconselhando ainda, a ler os rótulos alimentares – a procurar as “oses” (sacaroses, glicoses, lactoses). Mas o pior de tudo para a médica, são os açúcares escondidos, como o fiambre, o pão de forma, ou um esparguete à bolonhesa feito com molho de tomate de frasco. Lembra também que o consumo diário recomendado de açúcares para crianças, é de 12,5 gramas, mas a maioria consome, em média, 20 pacotes de açúcar por dia, ou seja, um total de 160 gramas. 
Um professor de Ciências de Nutrição, radicado num fundamento antigo da história da humanidade, afirma: O homem esteve sempre programado para engordar e reservar calorias para sobreviver, mas, nos últimos 70 anos, passou a haver comida a mais – e a oferta é barata, hiper-calórica e disponível 24 horas por dia. A partir daí, o organismo deixou de ter capacidade para se rearanjar. Há que tentar- diz ele – modificar tudo que contribui para a má alimentação, através da taxação dos produtos açucarados, e da retirada dos produtos mais calóricos das máquinas de “vending” em hospitais públicos e cantinas escolares. Mas isto não chega, são precisos bons exemplos, e dados em casa pelos pais. Se os pais não comem sopa, como querem que os filhos comam? Um bom exemplo, é o melhor processo de uma boa educação, por isso, em todas as casas, é preciso criar hábitos alimentares saudáveis, comendo alimentos de maior valor nutricional, mais benéfico para a saúde.
Não é verdade que comer bem seja mais caro. Uma sopa - diz o conceituado nutricionista - para uma família é essencial, e é mais barato do que pizzas, salsichas, bolachas ou iogurtes. Comer sopa é um gasto menor, e serão menos os custos ao evitar-se os inerentes tratamentos de todas as doenças geradas pela obesidade. Actualmente é o que acontece, já que o nosso Portugal está entre os dez países mais obesos da Europa.