Capela da Quinta da Torre (Santa Eulália) V

Pedro Marques

2017-04-13

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Será chegado, agora, o momento de partilharmos com o leitor um bocadinho da interessante, amistosa e demorada conversa com o snr. Simões, nosso amigo, como já referimos, desde há algumas décadas. Conversa, como é evidente sendo  a capela  o seu pano de fundo. Entretanto, já vimos que a Capela de Sta Teresa do Menino Jesus é o templo mais recente do património físico sagrado construído nas redondezas, com o mérito de o ter sido o concelho de Vizela. Como já vimos como é o seu espaço envolvente e o seu espaço interior. Como vimos que esta capela chegou a ser uma das sucedâneas da igreja matriz paroquial aquando das suas obras de  requalificação.  Na verdade, foram mais duas as capelas sucedâneas – a da Taipa e do Bairro. E vimos já também da burocracia necessária para se poder construir um edifício religioso. Neste caso, uma capela. E vimos também que a capela de Sta Teresa do Menino Jesus não tem a ver com os motivos da construção das capelas que vêm dos séculos XVI e XVII.
Das muitas existentes no concelho de Vizela: Capela de Sá; da Taipa e capela de Ledesma; capela da Obra (Sto Estêvão) Capela da Carreira e do Bairro; capela em Sto Estêvão de Barrosas; capela de S. Crau; capela da quinta da Torre de Tagilde; de Sto António; do Padrosinho e Senhora da Livração ainda na mesma freguesia, onde ainda também a capela de Vila Corneira. Nesta inventariação e fora deste objectivo fica a capelinha de S. Gonçalo de Vila Corneira (Tagilde) cujos motivos da sua construção estão devidamente justificados nas lápides laterais da parede frontal sob a galilé. Como ficará de fora a capelinha da Senhora dos Milagres no terreno que fez parte da antiga “Quinta da Venda”.
Há, também, e neste caso em S. Miguel das Caldas, uma capela de construção de um passado não distante: a capela da Casa (quinta) da Fonte, construída a quando da requalificação do edifício habitacional actual e cuja habitação original entronca também no património da geneologia dos Pachecos. Esta capela  foi construída, irá para uns trinta anos. Cremos que em vida ainda do Mons. Monteiro, que foi pároco de S. Miguel. Temos ainda em Infias as capelas de Atim, dedicada esta a N. Senhora da Conceição; e a capelinha de Lijó, construída e financiada pelo proprietário da Casa de Atim, por causa das desavenças e cenas de pancadaria até, quando às Senhoras do Monte subiam os clamores, encostas acima, das freguesias em redor.
E há uma capelinha a que não fizemos referência ainda: a de Sto Aleixo, na freguesia de Sta Eulália. Todavia, com paciência e tempo, lá chegaremos. E mais completo ainda que este, deixámos já para trás, um inventário (quase) completo, só das capelas existentes no concelho de Vizela.
Regressemos à capela de Sta Teresa do Menino Jesus.
Na tal conversa amistosa e demorada, o snr. Simões colocou à nossa disposição o processo com todos os documentos relacionados  com a sua construção. Neste caso das tramitações necessárias com a diocese do Porto. E na nossa frente, foi folheando esses documentos: cartas para o bispo do Porto (D. Armindo Lopes Coelho). Facturas dos custos burocráticos neste âmbito… e cópias dos recibos de quitação…”- Está a ver? Tive que pagar…Aqui, a diocese afirma que recebeu um cheque de 100.000$00…Com palavras de gratidão e pelo deferimento da bênção da capela… A gente tinha que pedir licença, para a bênção! (…) Isto foi o que se pagou para o pedido da bênção. Isto aqui… houve uma altura, a nível nacional, que…é… as capelas, para cerimónias oficiais, só podem ser utilizadas pelos proprietários ou familiares. Não é?... E depois eu escrevi… E eles disseram: “Lamentamos…” não sei quê…não sei que mais. Que é esta carta aqui. Que é também do D. Armindo. Isto era correspondência… Eu guardei isto… está a ver?... Eu às vezes… as pessoas deitam papéis fora (…) - Está a ver? (e mostra-nos as plantas da capela). Tínhamos que fazer estas coisas para apresentar na Sé… Porque… “Eu até queria fazer não sei o quê (…) Isto aqui é todo em pedra (e vai-nos explicando a construção da capela ) Ele (o arquitecto do Paço episcopal) mandou fazer em pedra (…) Os bancos da capela darão para umas setenta pessoas. E mais umas trinta de pé(…)
 Ficámos ainda a saber que para o coro se sobe pelas escadas que dão para a torre do sino. Mas também por fora se pode subir para lá. Sobe-se e vai-se para o coro. Subindo-se mais vai-se para o sino.
- (…) Só tem um sino. E tem o nome da… coisa que eu estava a dizer há bocado. Quando você estava ali ao portão. Inda tenho aqui o papel  do.. porque o sino foi feito… foi feito em Braga.Na Casa dos Sinos… Na Serafim da Silva Jerónimo… Fundação de sinos de Braga. Eles fundiram o sino com o nome “Capela de Sta Teresinha”… Tem lá as letras gravadas. E aqui um recibo “Recebêmos por conta do fornecimento do sino, cem contos” (…) Nem sei quanto é que o sino me custou…
- E isso, em que data foi?...
- Isto foiiiiiiiii…. Seis de Novembro de dois mil. Está a ver? Isto foi em 2.000. O casamento foi em 2001.  “Voila” (expressão francesa) 2.000 (…) Porque eu encomendava antes… tinha que  carimbar… Dar o nome… Eles fazerem aquilo… E é curioso que… Eu vi…Você chega lá… você vê sinos para reparação, do norte ao sul. Estão lá as freguesias! EH!...EH!... Está tudo ali… Está… sinos que partiram…ou madeira que estava seca e não sei que mais…Pronto. Está ali tudo. (…)  Isto é a medida do campanário…
 E ia folheando mais documentos…
- Isto aqui é para a gente pagar… de cinco e cinco anos… “Voilá”… Eu não tenho é o papel da construção! … Era trinta contos! Licença para a… para a construir, dez contos. A…. Renovação da licença de culto cada quinquénio (cinco anos), cinco mil escudos!... Eh! Eh!...
- Um pagamento para a vida inteira – nossa exclamação.
E o nosso longo diálogo continuou. Todavia, e relação aos assuntos de mais relevância da capela, pensamos que os tenhamos já todos referido.
Afinal, para se construir uma capela, as coisas não são assim tão simples e lineares, comparadas com a construção de uma casa de habitação normal. Como referido ficou, a parte burocrática para uma construção destinada ao culto católico, há pormenores que fazem bem a diferença!
Com os nossos agradecimentos ao snr. Simões pela simpatia do acolhimento dispensado e recolha das informações transmitidas, para si, leitor amigo,
O abraço amigo de sempre.