Cair de pé!

Hélder Freitas

2019-11-28

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No rescaldo ao soberbo jogo do Vizela na Taça de Portugal diante do Campeão Nacional, foi a expressão mais utilizada e aquela mais vezes repetida aos microfones da Rádio Vizela.
Reforçando a ideia do jogo a roçar a perfeição da equipa das Termas, fica o título que o site português especializado e dedicado ao futebol encontrou, de forma feliz, para expressar a jogatana do Vizela: “Caiu um gigante, passou o Benfica”.

Exagerado, talvez, ou então não, se atendermos à diferença de orçamentos entre as duas equipas (que não joga, mas ajuda), se olharmos para a disparidade de provas competitivas em que ambas competem e se correlacionarmos tudo isso com aquilo que foi a exibição de um e outro, então justifica-se plenamente o título.

Aliás, no Vizela, seria tremendamente difícil destacar jogadores porque todos eles, enquanto houve disponibilidade para o jogo (o Vizela jogou mais de uma hora com menos um), estiveram fantásticos.

Ficou a ideia convicta de que o Vizela poderia ter eliminado o Benfica não fosse a expulsão precoce, mas se optarmos por justificar tudo com a expulsão estamos a ser redutores sobre a imagem que ficou da equipa.
Uma equipa sem medo de ter bola, onde ela não queimava no pé e por isso saía a jogar, jogou no campo todo e teve muitas vezes o controlo do jogo deslocando o centro do mesmo para zonas mais próximas da baliza do Benfica do que propriamente o contrário.

Aqui neste mesmo espaço devo enaltecer o apoio dos vizelenses à sua equipa (deixaram quase sempre calados os adeptos do Benfica) - pois quando se pensava que estariam em menor numero, nem sequer foi isso que se viu – deve reforçar-se a ideia de que o Vizela é perfeitamente capaz de organizar este tipo de jogos apesar de não os fazer semanalmente e na mesma latitude expressar o reconhecimento pelos jogadores e pelos treinadores que não se amedrontam.

Era fácil jogar no erro, aproveitar a lentidão do Benfica para jogar em contra-ataque, mas difícil, e tal qual como foi feito, era jogar olhos nos olhos, em ataque continuado, a criar oportunidades, a desenvolver constantemente lances de ataque e foi isso que o Vizela fez.

Por isso, que me desculpem os adeptos, a direção e a administração, mas a responsabilidade maior para a digníssima imagem que o clube deixa é a de uma equipa sem medos e de futebol positivo.
E se o futebol é bonito, deve-o a este aspeto da maior importância quando um treinador consegue passar a mensagem ao grupo de que são capazes de se bater e vencer qualquer um.