As Assimetrias da Europa

Domingos Pedrosa

2018-05-10

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Há dias, um noticiário da televisão, abriu com este escândalo: há deputados que moram em Lisboa e que deram ao Parlamento e ao Tribunal Constitucional (diferentes) outras residências fora da capital. 
Custa a acreditar que os fazedores de leis, vivam à margem delas, que abusem delas. Este caso é um abuso. Para terem maiores ajudas de custo, que são pagas ao quilómetro, deram moradas em Fafe, Viseu, Bragança… E, como têm direito a uma deslocação semanal a elas, que não fazem, recebem as respectivas ajudas, declarando que as fizeram. 
No mundo da política há casos que bradam aos céus, e este, lembrou-nos outros que parecem mentira. Aqueles que o eurodeputado Marinho Pinto há uns tempos referiu do Parlamento Europeu. Àquelas verdades, poucos prestaram a atenção devida. Houve até quem as desvalorizasse. Mas o homem tinha razão. Tinha, pelo que agora se sabe de outras fontes. Durão Barroso enquanto lá esteve, como diz o povo, “Encheu a saca”, e agora que não está, recebe toda a vida, todos os meses, outra sacada de 18 mil euros. Este nosso político já tinha tido 21 cargos, passou para o 22º como presidente para a Europa, do Banco Goldman Sachs, que foi responsável pela catastrófica crise de 2008.
É ou não uma afronta, uma imoralidade a pensão vitalícia de Durão Barroso, de 18 mil euros mensais? Claro que é, se olharmos para as reformas de miséria dos seus patrícios. Mas é o que se passa nesta Europa da equidade que nos querem impingir. 
Mas há mais imoralidades a berrar, como a de Jean-Claud Junker, que, enquanto chefe do Governo do Luxemburgo, permitiu a fuga aos impostos a mais de 300 empresas. Que moralidade e ética tem Junker para ter assumido a presidência da CE? Nenhuma. Mas foi eleito pelo PPE (Grupo da Extrema Direita) do Parlamento Europeu, defensor da finança que faz dos fortes, fortíssimos. 
Quem quer esta Europa? Quem quer uma Europa que aprovou uma norma de aposentação que oferece aos seus funcionários com 50 anos de idade, uma reforma luxuosa de 9000 euros mensais? Por cá, neste cantinho que também é Europa, só ao fim de 40 anos de descontos, de um ordenado de miséria, se tem direito a uma reforma mais miserável ainda. E é revoltante vermos que a maioria dos portugueses recebe uma reforma/pensão de miséria, que fica o resto da vida no limite da sobrevivência, depois de tantos anos de árduo trabalho, enquanto os funcionários do Parlamento Europeu, “por terem andado por lá”, 15 anos sem nunca terem descontado um cêntimo, arrecadam o que arrecadam. Não admira que as Eleições Europeias tenham sido um crescente fiasco em termos de participação. Os “ Generais Europeus” deviam ter vergonha destas assimetrias gritantes, mas não têm. Nem decoro.
Os “Generais Europeus “preocupam-se primeiro, e talvez só, com os seus interesses. Razão teve Marinho Pinto que mostrou ser homem, homem digno. O mesmo não se pode dizer de Durão Barroso. Quando viu o país de tanga, como afirmou, fugiu, e lá se ”acoitou” na Organização onde nunca ninguém andará de tanga, tal a opulência que por lá reina. Tanga gosta ela de impor, e Portugal que o diga. Andou anos derreado sob o peso das suas políticas, mas Passos Coelho gostou. Tanto, que afirmou: Iremos para além do que a Troika impõe. E foi. Ainda hoje as mantinha, se fosse primeiro-ministro. Abençoada Geringonça.