Areias movediças

Hélder Freitas

2017-03-16

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É após a saída do treinador Rui Quinta do comando técnico da equipa do Vizela, que optei por chamar a este espaço as areias movediças em que se movem os treinadores de futebol.

O caso de Rui Quinta é paradigmático naquilo que é a vida de um treinador, que passa de bestial a besta num ápice. O treinador que deixou o Vizela é um técnico reconhecidamente com um bom discurso, e um treinador que tem experiência de segunda liga, é um homem que tem no currículo dois títulos de campeão nacional ao serviço do FC Porto enquanto adjunto de Vítor Pereira, valendo tudo isso, especialmente esta ultima premissa, por aquilo que vale, todavia a experiência está lá. O certo é que nem a experiência, nem o currículo, tão pouco a oratória eficiente fizeram com que Rui Quinta marcasse positivamente esta passagem fugaz por Vizela. Não conheço o carácter de Rui Quinta, muito menos a eficácia dos seus métodos e metodologias de trabalho o que sei é que muitos mais treinadores que não têm um discurso tão interessante e que estão a léguas da experiência de treino que Rui quinta tem, têm obtido muitos mais resultados positivos. Peguemos então noutro caso interessante de seguir. Ricardo Soares, ex técnico do Vizela e actual técnico do primo divisionário Chaves, chegou a ser alvo de protestos em Vizela e no entanto, num projecto aparentemente mais difícil de maior carga e dose de trabalho vive em estado de graça no Chaves. Ricardo Soares subiu a pulso no mundo do futebol, desde os distritais onde colecionou subidas de divisão até ao escalão máximo do futebol português onde está a levar o Chaves para onde os responsáveis com toda a certeza lhe terão apontado,  que passaria por ter a equipa a meio da tabela, algo que parece à distância, uma perfeita realidade.

Curiosamente o treinador que deixou o Chaves bem guiado, um dos “novos Mourinhos do futebol português”, homem de discurso acutilante, promissor, de promessas (que já não vai conseguir cumprir -  a meta dos 65 pontos ao serviço do Braga), objectivo, ambicioso, mas que num clube onde aparentemente até seria fácil de trabalhar pela qualidade humana existente (consubstanciada pelos reforços de peso que teve no mercado de Inverno), não está a fazer melhor do que o seu antecessor.

Já se sabe de há longa data que o treinador de futebol tem necessária e obrigatoriamente de perceber de futebol, mas tem de ser alguém munido de muitos mais recursos. Nunca vai agradar a todos e isso é ponto assente, mas é alguém que vai andar sempre no fio da navalha porque mais do que ninguém vai viver sempre dos resultados que conseguir. É a vida de treinador de futebol, algumas vezes de euforia com os sucessos, outras de ingratidão quando do sucesso se vê arredado.