Apelo à unidade - juntos vamos combater o novo coronavírus

Pedro Oliveira

2020-03-19

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 A mensagem só poder ser a de envolver os Vizelenses: união entre todos e apelo ao espírito de solidariedade de cada um de nós que nos caracteriza enquanto comunidade e enquanto povo. Não é o tempo de egoísmos individualistas. É o tempo a favor da solidariedade coletiva. Este é o momento também de cada um no aconchego de sua casa, retemperar forças e assumir a sua própria responsabilidade, cumprindo os seus deveres, indispensáveis à sua própria segurança e à dos outros, para que todos unidos possamos sair juntos desta crise gravíssima. Temos diante de nós um inimigo desconhecido, um inimigo que pretende desestruturar a sociedade em que vivemos. Somos descendentes de um povo que viveu períodos muito graves na sua história e que soube sempre dar a volta por cima e emergir como sociedade mais forte, mais capaz e mais robusta para o futuro. Não foi a privação de bens ou a fome que os nossos avós vivenciaram que os fez baixar a guarda, não foi a ida para o Ultramar para combater numa guerra injusta que os fez desistir de lutar por um futuro melhor para os seus, e não vai ser este inimigo desconhecido que nos retirará o alento de construirmos uma sociedade estruturada e democrática: livre, justa, segura e solidária. Não acredito que a nossa identidade como comunidade e como povo possa ser abalada por uma coisa assim. Também à época os nossos pais e os nossos avós perante as adversidades e o desconhecido naqueles tempos dificílimos não soçobraram ao medo, e souberam na fatalidade de uma vida ter esperança para ajudar a construir um futuro diferente mas muito melhor para todos.
Este é um novo tempo, de pausa e de reflexão talvez: da história, dos costumes e dos nossos hábitos. Pode parecer um tempo de incerteza mas é também um tempo de esperança. De esperança, em primeiro lugar, a um nível  global, na ciência e no conhecimento dos que estudam, dos que investigam e dos que trabalham em prol da humanidade. De esperança também, num tempo de adversidade extrema mas onde o melhor da sociedade emerge: equipas médicas, enfermeiros e assistentes operacionais dedicadíssimos, num esforço contínuo, dando o melhor de si aos outros todos os dias e em cada momento como este que vivemos em particular. Todos eles envolvidos na prestação dos melhores cuidados de saúde à população, assegurando a protecção a toda a gente com os meios e recursos existentes, não apenas nesta enfermidade como em tantas outras que continuam a existir. E não há ninguém que exemplifique melhor este momento do que aqueles que, estando na defesa da linha da frente, num espírito altruísta, de solidariedade e de auxílio ao próximo realiza as suas práticas médicas naquilo que parece ser uma corrida contra o tempo. É de notar ainda todos aqueles médicos e enfermeiros aposentados que disseram presente e que quiseram dar o seu contributo vital à sociedade preferindo estar ao serviço do bem comum que no aconchego do lar depois de uma vida inteira dedicada aos outros.
Se os profissionais de saúde estão na linha da frente tantos outros estão na retaguarda: forças de segurança e bombeiros no auxílio à população, pilotos, maquinistas e camionistas em transportar pessoas e bens essenciais para vários destinos, profissionais da comunicação social que trazem até nós a informação ao minuto,  empresários e trabalhadores laborando nas empresas para que o país não fique em suspenso. Entidades públicas e empresas privadas prolongando o prazo dos compromissos assumidos por cada um de nós. Todos concorrem em espírito solidário e contribuem para que a sociedade não se desestruture.
O Governo português na coordenação com outros governos no espaço comum europeu toma  decisões e implementa as medidas proporcionais que melhor se adequam a cada circunstância em especial. Neste momento difícil sentimos todos que podemos contar com a experiência, o bom senso e a competência de António Costa. Tem demonstrado a cada dia todas as suas qualidades: forte, seguro, responsável e consciente. Mas também temos a sorte de termos à nossa frente 2 mulheres inteligentes, trabalhadoras e bem preparadas como são a Ministra da Saúde Marta Temido e a líder do Serviço de Saúde Pública Graça Freitas. Portugal é feito de grandes homens e de grandes mulheres e é por isso que continuo a confiar tanto nos seus líderes como no nosso povo. Não nego que os tempos são difíceis e estamos defronte à incerteza do nosso futuro. Provavelmente nos próximos anos teremos de nos adaptar e mudar as nossas condições de vida. Agora é momento de resistir e de sermos firmes como povo. Devemos manter a disciplina e respeitar as recomendações oficiais dos governantes e dos dirigentes. Todos temos de ter a serenidade mas também a coragem física e espiritual. Unamo-nos como comunidade apesar da distância e do isolamento social. Ninguém deverá ceder ao medo. Mas se o tivermos que o partilhemos com os outros para numa atitude de cooperação nos entre-ajudarmos. Saibamos todos que, quando tudo isto passar sairemos desta crise melhor enquanto pessoas, enquanto comunidade e enquanto sociedade. Tenho a plena confiança que, se cada um fizer o seu dever vamos todos acabar por vencer por mais longo e difícil que possa parecer este desafio e o caminho que teremos de percorrer.