Ainda o nosso livro “Na Rota dos Moinhos”

Pedro Marques

2020-02-13

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Prezado leitor amigo,

Desta vez, é sobre a nossa pessoa que vamos encontrar-nos consigo nesta página do RVJornal. Não propriamente sobre nós, mas para nos referirmos  ao nosso último livro  através do testemunho de dois leitores do nosso livro “Na Rota dos Moinhos”. Eis, então, os testemunhos:
 (…) Só de ver o exemplar espanta pelo trabalho que facilmente se adivinha ter estado na base da sua concepção. Ao folheá-lo, como já o fiz, parando em diversos destinos e quase saboreando a brisa que certamente o meu amigo também provou na hora em que viveu tais instantes, a anterior adivinhação torna-se uma sólida certeza. E se espanta o trabalho de criação nem quero imaginar o de correcção. Conseguiu um autêntico guia, uma antologia de histórias e imagens (e que belas imagens) que acredito estarem a um passo do precipício do esquecimento. Louve-se quem por elas se interessou e agiu no maior interesse não só do concelho como das futuras gerações, filhas da dita terra. E até os de fora: facilmente se imagina um casal com o seu livro em mãos pegar no seu carro e a percorrer cada recanto, cada lugar de aura tão peculiar e desfrutar, ao vivo, do que por palavras foi escrito.
Meu caro, receba uma vez mais os meus parabéns por tamanho empreendimento. Tem todas as razões para estar feliz com o seu feito e orgulhoso do resultado final. Se muitos outros não o compreenderem, paciência...lembre-se que o fruto de sabor mais requintado só é devidamente apreciado no palato mais refinado. Que é outro modo de dizer: a semente só germina no canteiro que está capaz de a receber. (E com isto toca-me à campainha das portas da memória a parábola do semeador.)
Aproveito ainda para agradecer a gentileza em ter colocado o meu nome nos poemas que lhe indiquei e que viu pertinência para figurar na sua obra. Não haveria necessidade de tal, mas agradeço muito o seu gesto.
Meu amigo, receba o abraço de sempre - e as mais calorosas saudações aos que guarda no coração”.
(…)
“Prezado Amigo Sr. Pedro Marques:
Desculpar-me-á apenas agora dar-lhe notícia, decorridos já dois meses sobre a recepção de “Na Rota dos Moinhos”, para mais ostentando, tão gentil dedicatória. Muito grato pela gentiliza.
É este livro uma peregrinação por longos anos, por múltiplas e variadas veredas, em busca de moinhos e de moleiros, para se saber das histórias destes e de seus donos e utilizadores, fixando, de todos eles, a sua imagem pelo que a fotografia se torna um elemento essencial de caracterização do moinho, da envolvência  rústica, paisagística, conferindo à narrativa uma autenticidade absoluta, conjugada com personagens, histórias de vida, reencontros entre o autor-narrador, que em outro tempo, por lá peregrinara.
É uma escrita extremamente apelativa, marcadamente oral, coloquial, muito viva, envolvente pela naturalidade com que se evocam a história do moinho e as vivências dos moleiros, muitos, proprietários deles, convocando a um visualísmo, como se fora – e foi – um repórter de máquina fotográfica na mão, em busca dos moinhos, para os fixar pela imagem – imperecível memória – uma pequena construção, cujo ventre corria água que movia um rodízio, uma mó que moia o grão que seria pão para todos! E fora, assim, durante séculos.
Mas, aos moinhos associam-se vivências de uma autenticidade, de uma humanidade, tantas vezes avassaladora, porque os moinhos laboravam dia e noite, quando os consortes eram vários e as horas distribuídas.
É um livro de uma vida a manifestar-se por tão longos anos, pela paixão pelos moinhos que foram elementos constituintes de uma realidade, marcada numa paisagem física e por uma geografia humana, no que esta tinha de mais genuíno, na simplicidade e tantas vezes heroicidade de vida, ou seja, pela luta por esta.
Esta obra dá um contributo precioso à etnografia, antropologia e arqueologia de toda uma região e um imorredouro contributo à história dos moinhos.
Traz à escrita um devotado peregrinar, com um escopo apaixonante, para a sua sensibilidade e percepção, acima de tudo, de querer deixar “in posterum” o retrato de uma actividade que viria a sucumbir com a  destruição da agricultura secular, em que o cultivo do milho, para o pão, e do trigo, este  menos, eram o suporte alimentar.
E os campos de milho que oscilando como um exército virente, perfilado, às brisas primaveris, desapareceram. E os moinhos de água foram morrendo! Como morrendo foram os das planícies ribatejanas e alentejanas, ostentando quatro velas fixadas nos ângulos do quadrado, tocadas estas pelo vento! E foi contra uma destas que D. Quixote investiu, a sua longa lança, como se um fora inimigo, na planície castelhana…
E o que seriam os moinhos de vento, alcandorados nas colinas de  Atenas?
E o meu Prezado Amigo andou também na terra onde nasci – Alvarenga. E fala na carreira dos moinhos, caso único, talvez, no País: dezassete moinhos em carreira. Neles falo num dos meus livros. E tive ainda a dita de dormir no moinho das Aguieiras, teria eu 10 anos, com uma irmã e uma tia, para vigiar do decorrer da moagem! Ficava a cem metros da queda de água das Aguieiras, a cascata que se vê dos passadiços do Paiva e onde vai terminar a ponte pênsil, a nascente.
O rigor documental deste livro chega a um pormenor de uma importância histórica decisiva: a data e hora da “peregrinação”! Quem imaginaria esse rigor que, para os vindouros, é crucial, para se aquilatar o que eram, como eram os moinhos e sua envolvência, e o que serão então!
Dos moinhos falaram poetas. Não imaginara eu e meu Pai um dia viéssemos a figurar, como figuramos neste!
Faço meu o teor do poema do Sr. Pedro Marques na contra-capa, pleno de nostalgia, de desolação, saudade, dor, por esses lugares sacralizados pela bendita dádiva da farinha, que viria a ser pão, uma e outra, sempre benzidos, por nossas mães!
Meu Amigo, este seu livro “Na Rota dos Moinhos”, dá um contributo decisivo e notabilíssimo para a molinogia em Portugal.
E terá de colocar-se, pela sua amplitude e pelas informações históricas, etnológicas, antropológicas e arqueológicas, ao lado daquele que permanecerá como grande marco para a história de Vizela: Das Margens de Vizela. Memórias, da nossa comum amiga Srª. Drª. Maria José Pacheco.
Aceite o meu obrigado, por tão precioso livro, e as minhas felicitações profundas, por tê-lo feito.
Um grande abraço do
José Nuno Pereira Pinto”
(…)
Transcrevemos aqui os testemunhos pelo facto de eles terem sido feitos por escrito e dos quais nos sentimos justificadamente honrados. No entanto, outros testemunhos, muito positivos, sobre o livro igualmente nos têm chegado. E, para todos, o nosso agradecimento.
Com o abraço amigo de sempre,