AINDA NO ÂMBITO DA MÚSICA EM VIZELA E OUTRAS MEMÓRIAS DE ARRASTO

Pedro Marques

2017-09-07

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Também apoio demos no âmbito da música litúrgica na vizinha freguesia de Sta Eulália. No tempo ainda do snr. P. Leal. Então, a residência era a antiga. Que foi demolida e deu lugar ao “monumento” actual. Pelo menos pela comunhão solene das crianças, o snr. P. Leal vinha pedir-nos ajuda. Que nunca negámos. Como passamos a dar colaboração, mais tarde, com o actual pároco  rv. P. Lemos. De modo continuado quando, depois, passámos a substituto do prof. Vilar. E lá estivemos dando colaboração no âmbito da música. De organista e orientador do grupo coral de lá. Sem falhar aos ensaios semanais e por vezes até colaborávamos numa das missas dominicais ou vespertinas. Colaboração esta em dois tempos: A primeira, ao longo de quatro anos; a segunda, ao longo de três. Até à nossa ida para a Câmara de Vizela, logo após a criação do concelho. Então por essa altura, ele dispensou a nossa colaboração. As razões disso, conhecemo-las nós ambos. Histórias pelo caminho deste percurso?... Também!...
Demos ainda a nossa colaboração pontual enquanto organista  ao coro de Moreira de Cónegos. Numa primeira etapa, com o pároco de então, o snr. P. Nogueira; e depois já com o snr. P. Matos e também enquanto orientador do grupo coral.  Uma ou outra vez, íamos também tocar órgão. Demos apoio ainda enquanto organista durante uns tempos, à igreja de Nespereira. 
Mas  também por Gandarela passámos. No tempo do então P. Artur. Fugazmente pároco também de Nespereira. Em substituição de um outro que depois foi para a freguesia da Carreira. Este, enquanto pároco em Nespereira (e Gandarela) ficou célebre pela célebre afirmação feita numa das homilias quando bradou: “ um murro deste meu punho pesa mais de oitenta quilos!” E cada um que imagine onde e em quem  o murro desse punho teria tido assim tanto peso. 
Logo a seguir à nossa passagem por Gandarela, esse P. Artur  em bastante novo ainda de sacerdócio,  dele abdicou regressando à vida civil, cremos que para leccionar no Externato de Riba d’Ave “Delfim Ferreira”,  ou na Didáxis, fundados  pelo seu tio (cremos) Aurélio Fernando Martins Pereira, também sacerdote mas que, uns anos depois, deixou de exercer o sacerdócio e casou, foi pai e faleceu avô em Abril passado.  Um e outro da família dos empresários de Lordelo, tendo sido de  elementos da família deles, a empresa têxtil “J. Martins Pereira & Cª Lda” em Lordelo.  Nesse tempo, nós conhecíamos em profundidade e dimensão o miolo das empresas e seus empresários, tendo sido, ao tempo o Banco Nacional Ultramarino a “bolsa de valores “ e dos “pesos pesados” do universo industrial de Vizela e periferia, desde Vila das Aves, S. Martinho do Campo, Lordelo, Moreira, até Pevidém, Covas e Regilde e Lustosa.
Quanto ao sacerdócio: Dantes, o sacramento do sacerdócio “imprimia carácter”. Como o do baptismo e o da confirmação. Agora e quanto ao sacerdócio, parece que já não será bem assim. Pelo que lemos algures, parece que, agora, poderão ser retiradas as “ordens” do sacerdócio, deixando de se ser padre “para sempre”, regressando ao “laicado”. Ou seja verdades (imutáveis) que eram mas deixaram de o ser. E por isso a razão, fundamentada, de muitas das nossas dúvidas em relação a verdades (imutáveis), quando a VERDADE  é um fenómeno em constante recriação.  Um sacerdote é um homem (também) carente de afectos. E o “não separe o homem o que Deus uniu”,  não é assim tão redutor e apenas para os noivos que se casam, mas para o todo da Natureza humana  que na união recíproca se completa em termos  de fusão do masculino  e feminino.
 Impedir o casamento do sacerdote é uma violência contra a Natureza já que priva da sua necessidade de afectos que na  união sexual atinge a medida completa. Um celibatário, por imposição, é um ser truncado. Incompleto. E depois acontece o que toda a gente sabe mas finge não saber. Aos molhos! A nossa homenagem àqueles que estoicamente cumprem o voto da castidade!
Quando então colaborámos em Gandarela, foi ainda na igreja antiga. Estava ainda longe o tempo em que se iria construir a actual. Aliás, numa parcela de terreno cedida pelo industrial  snr. Domingos de Sousa, que temos como muito bom nosso amigo como toda a sua família, o que muito nos honra.  Para este empresário de sucesso colaborámos em termos de contabilidade durante cerca de vinte anos. Nós mais preocupado com a evolução financeira e menos pela fiscalidade.  É que para o sucesso da empresa era necessária uma boa percentagem de autonomia, em função da qual o Banco avaliava a capacidade  de endividamento de uma empresa com o menor risco possível de falta de cumprimento do empréstimo. E tínhamos de estar muito atentos. Tanto tempo depois e tão marcado ficou o esforço de então, ainda acordamos, hoje, a sonhar com as manhãs em que muito cedo, ainda com as estrelas a cintilar estremunhadas no céu; umas vezes subindo outras descendo bouças por entre mato e giestas, nós escorregávamos e nos estatelávamos no chão. E tantas foram as vezes em que enxugávamos a roupa no corpo já no nosso local de trabalho de todos os dias! O que de memórias temos desse tempo! Dolorosas, algumas. Todas, porém de uma riqueza imensa.
Então, nessa igrejinha de Gandarela, nós tocávamos harmónio. Pequenino e pobrezinho como pequena e humilde era a igrejinha de então, perdida lá no fundo no meio dos campos e dos carvalhos e castanheiros e cerejeiras. E para onde se ia por estreito  caminho ladeado de muros.  E aí reorganizámos o coro de Gandarela. E ainda recordamos alguns dos cânticos lá ensaiados e comigo acompanhados ao harmónio na missa vespertina de sábado…Ainda no âmbito da música e em S. Miguel, fundámos um coro misto. Onde havia de tudo: das crianças a catequistas e a outros alheios aos colaboradores da igreja neste âmbito. Quem recordará ainda o impacto das crianças ao coro associadas cantando, na missa das onze de S. Miguel? Até gente de fora vinha assistir à missa! Nesse tempo, a igreja era um ovo. Tão cheia estava de crianças e de pessoas adultas. Não exageramos se afirmarmos que superavam as oitocentas presenças. Ou mesmo as novecentas! Num tempo em que as crianças da catequese andavam pelo meio milhar. Recordamos que, além do órgão, no canto esquerdo da capela-mor, chegou a haver bateria, violas e até um bandolim. Nesse tempo ainda, todas as crianças da catequese eram um céu aberto de cânticos. Querubins e serafins no trono de Deus. Então, já nesse tempo esta missa das onze em S. Miguel se poderia considerar hoje  uma das “missas criativas”. Daquelas que D. Jorge Ortiga hoje gostaria de ter para atrair a juventude tão arredia.
Quem recordará ainda, a voz inocente dessas crianças – todas! Isso nós víamos de cá de cima de onde “puxávamos” pela assembleia para ela cantar – cantando em uníssono total o cântico de acção de graças “Eis-me aqui, Jesus/ Também hoje diante de Ti/ Todo renovado assim como tu me queres / Eu serei a resposta ao Teu porquê / Um fruto do Teu abandono / Eis-me aqui!”… “ Um pacto já nos une, todos diante de Ti  / A declarar-Te o nosso amor exclusivo/ A responder aos dons do Teu amor/ E porque foste abandonado / Contigo morremos e ressuscitamos / (…) Temos saudades desses tão lindos tempos!

Com o abraço amigo de sempre!