Agora ou nunca

Fátima Anjos

2017-03-23

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É agora ou nunca. E estou a falar novamente do Rio Vizela, tema que prendeu todas as atenções na sessão solene do último Feriado Municipal. Já seria de esperar que a presença do Ministro do Ambiente em Vizela motivasse as diferentes forças políticas a direcionarem os seus discursos para a necessidade de combater a poluição de que ainda é alvo o Rio Vizela. Facto que fez a cerimónia ganhar força, saindo de um discurso que muitas vezes se fica pelo combate político para um grito de protesto em uníssono que fez o assunto ainda ganhar mais força e, talvez, por isso, acredite que é agora ou nunca…

 

Afirmava João Pedro Matos Fernandes no último domingo que era tempo de se deixar o jogo do “gato e do rato” e que não se sentia culpado pela poluição do Rio Vizela, uma vez que a culpa é daqueles que efetivamente infringem a lei, particulares ou industriais, públicos ou privados, que estão a poluir o Rio Vizela. Muito bem. Mas de quem é a responsabilidade de punir os infratores e de adotar medidas que possam efetivamente inibir que este problema perdure no tempo? Essa é uma pergunta que poderá vir a ser respondida pelo Ministro do Ambiente na próxima vez que se deslocar a Vizela e que estará para breve, uma vez se ter comprometido a regressar em breve para a apresentação de um Plano do Ambiente e no qual estarão incluídas várias medidas de combate à poluição do Rio Vizela.

 

Garantiu já o Presidente da Câmara Municipal de Vizela, Dinis Costa que para elaboração deste plano estão a contribuir vários municípios da região, o que fará todo o sentido. Sempre assim devia ter acontecido, uma vez que este é um problema de interesse intermunicipal. Há algumas semanas, estivemos em Santo Tirso em entrevista com o Presidente da Câmara Municipal Joaquim Couto e que recordou a primeira vez que foi abordada a necessidade de levar a cabo um programa de despoluição dos rios Ave e Vizela. Estávamos em 1983. Na altura, o que lhe foi transmitido por quem já dominava mais a este tipo de matérias foi de que demoraria entre 30 a 40 anos até que estes cursos naturais pudessem ver a sua fauna e flora recuperada. A verdade é que já passaram 34 anos. Por isso, é agora ou nunca.

 

Todos sabemos que este será ano de Eleições Autárquicas e que a classe política agarrará as “bandeiras” que puder para fazer prevalecer a sua voz e também sabemos que os políticos de Lisboa estarão em permanente itinerância pelos municípios deste país, principalmente, por aqueles onde a vitória poderá cair para um de dois ou três lados. Mas isso, a nós cidadãos, não interessa. O importante é que o Rio de Vizela se salve e se tivermos de escolher entre o agora e o nunca, que seja o agora.