A requalificação do adro da igreja eulalense: um novo e surpreendente folhetim

Eugénio Silva

2019-08-01

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A propósito do imbróglio referente ao projeto de Requalificação do Adro da Igreja de Santa Eulália, a Câmara Municipal de Vizela emitiu um “Esclarecimento”, datado de 25/07/2019, publicado na página 23 da edição do RVJornal, nessa mesma data, onde, a pretexto das “suspeições (até hoje, nunca refutadas) que reiteradamente têm sido levantadas” nos meus artigos de opinião, acabei a merecer um inusitado protagonismo. 

Da minha análise, distingue-se como um ótimo exemplo da demagogia política; uma brilhante demonstração na arte de bem sofismar, ao utilizar, falaciosamente, elucidação por confusão; e um triste jogo de empurra culpas, um deplorável exercício do declinar de responsabilidades políticas. É um perspicaz “Esclarecimento” que se manifesta sem se manifestar, e que tem por objectivo confundir a opinião pública e não a inequívoca prestação de contas, com rigor, verdade e transparência, acerca desse secretíssimo negócio, desde a sua génese até ao presente, fazendo adensar o mistério e legitimar a suspeição. Nestas circunstâncias, e porque quem paga - todos os cidadãos - tem o direito de pedir e de conhecer os contornos e as finalidades dos negócios públicos, reitero, como forma de resposta, as habituais perguntas que têm sido colocadas à atual vereadora e ex-vice-presidente do anterior executivo municipal, a Sr.ª Dora Gaspar, e ao atual executivo, sob liderança do Sr. Victor Salgado, uma vez que não mereceram ainda qualquer tipo de resposta. Deste modo:

1 - Por que razões a compra, em 22/08/2016, de 5 prédios (rústicos e urbanos), - supostamente destinados ao referido projeto de requalificação - pelo valor global de 175.000,00 Euros, firmada pela ex-vice-presidente do anterior executivo municipal de Vizela, nunca mereceu honras de discussão e aprovação de uma qualquer Assembleia Municipal (AM), passada ou presente?

2 – Quais os prejuízos que traria ao referido projeto de requalificação uma avisada e prudente decisão de se submeter a discussão e aprovação de uma qualquer AM a demolição da denominada “Casa do Adro”, adquirida pelo anterior executivo municipal, pelo valor de 105 600,00 Euros? Acerca da demolição desse prédio urbano, como, quando e quem deliberou a ordem da sua demolição, iniciada em finais de junho de 2018, e quem a custeou? 

3 – E o atual executivo municipal, ao revelar-se célere e impiedoso a denunciar toda a espécie de irregularidades praticadas, no passado, pelo anterior executivo, por que não denunciou agora a inutilidade para o referido projeto de requalificação do adro da igreja eulalense da compra, em 2016, da obscura “Bouça de Agros ou Pendal”, pelo valor de 26 000.00 euros? Por que razões não clarifica a importância para o concelho da compra dessa parcela, uma bouça de 34 000 metros quadrados (área oficial) situada bem nos limites da freguesia eulalense, se não mesmo em território da freguesia vizinha? Não configurará isto denegação e conivência complacente?  

4 – Acerca do referido projeto de requalificação, em Reunião de Câmara, realizada em 11/06/2019, na estulta presunção de que um bom e simples cidadão, um daqueles homens que sempre se bate pela transparência da vida política em democracia, pretendia ler um texto com perguntas da minha autoria, foi-lhe, abusivamente, negada a palavra. Nessa mesma reunião - local onde, livremente, todos podem tomar assento e intervir quando e só for essa a sua vontade – assisti a uma inadmissível e deplorável atitude despótica, muito deselegante e, mesmo até, de menorização do referido cidadão, perpetrada pela presidência. Qual o “crime” deste cidadão? Ousar pedir a prestação de contas acerca de um negócio opaco, que deveria ser transparente, à semelhança do que fará qualquer cidadão exigente da verdade, do rigor e da transparência dos negócios públicos. Muito para além do reconhecimento dessa censurável atitude, fica em débito o pedido de desculpas públicas ao referido munícipe.

Roga-se, assim, ao atual executivo, sob liderança do Sr. Victor Salgado, e à atual vereadora de oposição, a Sr.ª Dora Gaspar, que, em nome da verdade, do rigor e da transparência, nos esclareçam, cabalmente, todos esses negócios nebulosos e cessem de nos tratar como verdadeiros anjinhos, quando não como autênticos imbecis.