A propósito do Tratado Aliança Luso-Britânica

Pedro Marques

2019-06-19

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Não admira, portanto, que a nossa afectividade por Tagilde tenha criado as tais raízes bem fundas. Nesse tempo de bancário e de organista e de canto coral, nós fomos um “snr. fulano Pedro Marques!” Não só em Tagilde, como nas igrejas em redor. Vaidade e presunção à parte, podemos gabar-nos de termos ajudado a quem ajuda nos solicitou, de forma desinteressada e gratuita. Com recusa nossa, até, de remuneração pecuniária. Nunca ninguém poderá afirmar, com verdade, que tenhamos recebido dinheiro. Isto, para que conste, quando o nosso objectivo, é dar-lhe a conhecer, leitor amigo, mais alguma coisa sobre o “Tratado de Tagilde”
 Quem há uns bons anos foi acompanhando o ex-Notícias de Vizela (a partir de 1985) e desde que começámos há alguns anos a colaborar no RVJornal, foram já diversas as vezes em que nos debruçámos sobre a freguesia de Tagilde, desde o seu património edificado, como sejam a igreja, a Quinta da Porta ou das Portas, o Paço de Vila Corneira, a Casa e capela da ex-Quinta da Torre e a capelinha e cruzeiro de S. Gonçalo.
Além deste património edificado, também ao seu património religioso imaterial nos referimos: desde as  solenizações ao S. Gonçalo como à  da “festa” da Senhora do Rosário. Mais de uma vez, até. Como também à solenização da “festa do Menino”, mais o seu cortejo. Como ainda à festa do padroeiro, “Divino Salvador”. O “Calvário” da Tagilde também não ficou esquecido. Como esquecidos não ficaram os nichos de “Alminhas” e as capelas – desde a de Arriconha, Vila Corneira, Espírito Santo e às demais que existiram nessa freguesia. Não esquecendo, de modo algum, a ermida de S. Bento, que tem até uma promessa, ao santo feita pelo rei D. Fernando I para que desse a mais possível feiura à sua esposa que o atraiçoava.
Também já nos referimos ao próprio Tratado de Tagilde. Ora, se ao tratado de Tagilde, se erigiu em 1953 a espécie de obelisco onde está gravada em baixo relevo a memória desse Tratado, vinte anos depois - em 09.96.1973 - foi a comemoração desta efeméride, com honras de primeira página (ano CXX nº137)  do “Comércio do Porto, jornal fundado em 1854 e com as medidas de quase, 050m de lado, por 0,65 de altura. Jornal diário este que deixou de se publicar em 2005. Um exemplar, este já muito velhinho e de páginas amarelecidas e já gastas na parte superior. Pudera! Se este exemplar já tem quarenta e cinco anos!
Então, nesta edição de nove de Junho de 1973, em letras gordas e garrafais, numa quarta parte à esquerda e ao cimo, tem a seguinte notícia: “ Um príncipe em Guimarães. Oferecidas ao duque de Edimburgo seis rosas (seis séculos da Aliança). Exibida a cruz de ferro (Sec.XIII) que testemunhou o Tratado de Tagilde. E no segundo quarto do jornal, à direita e ao cimo também, uma fotografia, grande, do duque de Edimburgo, a despedir-se ou a chegar (falta-nos saber), com a seguinte legenda:” De bordo do “Queen’s Flight” que ele próprio pilotaria (três horas de viagem) desde Pedras Rubras até Inglaterra, o duque de Edimburgo diz adeus ao Porto, uma cidade que Sua Alteza Real não visitou”.
Segundo a notícia da reportagem, “o primeiro contacto deste membro da Família Real Inglesa ocorreu junto ao antigo Largo da Feira, a escassos metros da longa escadaria da igreja de S. Gualter, passavam quinze minutos do meio-dia e a cidade de Guimarães, fadada como histórica trajectória de visitas oficiais, esbanjava um sol luminoso e grosso, como se de iminente trovoada nos pesasse na fronte".

Com o abraço amigo de sempre, viremos até si ainda com esta efeméride. Acontecida, como referimos em nove de Junho de (um sábado) de 1973.