A minha leitura

Anita Martins Pinto

2017-09-07

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Num município relativamente pequeno como Vizela, se for visto nos seus cerca de 25 km2 da sua dimensão administrativa, a organização do território e das suas estruturas de governação deve visar fundamentalmente a construção de um sistema capaz de responder às necessidades da população (habitação, emprego, mobilidade urbana, etc.). O concelho de Vizela vai muito além do espaço criado pela Lei nº63/98 de 1 de Setembro, faz-se acima de tudo da sua comunidade, como dos valores endógenos que lhe caracterizam a identidade.
Do ponto de vista da atratividade do concelho, Vizela apresenta-se, aparentemente, menos interessante, possivelmente pela localização periférica, relativamente aos grandes eixos viários, ou pela desvalorização a que foram ditados alguns dos seus elementos mais nobres, como o Rio, as Termas e o Parque Natural. No entanto, e numa primeira leitura territorial, com vista a compreender as dinâmicas e a atratividade do território, observa-se que cerca de 38% da população residente trabalha fora do concelho*. Ou seja, Vizela é um concelho atrativo do ponto de vista do local de residência, que se prende com a estrutura de comunidade, qualidade de vida, segurança, etc. Em contrapartida os não residentes representam também uma fração significativa da população empregada no concelho (29% das pessoas empregadas residem noutros concelhos*). Estes dados podem refletir oportunidades de trabalho que não se concretizam no aumento da população residente, o que pode por si demonstrar uma das debilidades no concelho, a insuficiência do parque habitacional. E porque o espaço de habitar não é apenas o de residir, importa reforçar a qualidade dos espaços públicos e equipamentos, como potencial de atração de novos fluxos, em consideração com os usos atuais e potenciais do território, nomeadamente a ligação entre o centro urbano, periferias e as distâncias casa-trabalho. 
Primordial ainda é a valorização dos recursos endógenos - o Rio Vizela, as Termas e o Parque - na ótica do interesse coletivo, enquanto fator de identidade e de atratividade do território, tornando-os acessíveis à comunidade e a quem o visita, determinam a formação de uma imagem identitária coletiva, será capaz de posicionar o concelho no quadro de desenvolvimento regional. São os territórios que se prepararam em termos de infraestruturas e de valorização dos recursos endógenos, reforçados pelo nível de acessibilidade disponibilizada, que se tornarão mais atrativos e conseguirão captar valor.
Estou convencida de que há em Vizela um vasto consenso acerca da potencialidade dos seus recursos. Pelo que é necessário agora discutir a forma de o fazer, uma vez que a reflexão estratégica e o posicionamento futuro devem responder aos desafios que o município enfrenta, reconhecendo as especificidades do contexto, permitindo a capacitação dos seus ativos - território e população - através da valorização dos elementos que o caracterizam e da promoção de formas alternativas de gestão e governância.
Trata-se de organizar de forma equilibrada o desenvolvimento através de políticas sectoriais (desenvolvimento urbano, habitação, transportes, ambiente, desenvolvimento económico, etc), que assegurem a promoção das condições necessárias à competitividade, sustentabilidade e coesão, através da participação pública da sociedade civil e das suas instituições, do aumento da transparência das decisões e da determinação do mérito, sensibilizando para uma nova cultura de desenvolvimento territorial.
É esta a visão que se constrói a partir desta equipa de trabalho plural, que valoriza a discussão não hierarquizada, onde as decisões são alcançadas através de um processo colaborativo de participação, com pontos de vista alternativos e fundamentados no conhecimento técnico.  Esta equipa será assim capaz de criar uma nova estratégia de afirmação do concelho, a apresentar na próxima sexta-feira, dia 8, cujo valor se estrutura na forte identidade local e recursos estratégicos.


*Dados censitários de 2011