A importância da “festa”!

Jorge Coelho

2018-07-05

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Nesta altura do ano o número de eventos, de tipologias para todos os gostos, aumenta exponencialmente, promovidos por entidades públicas ou privadas. 
Uma certeza associada aos eventos é o facto de serem potenciadores de desenvolvimento económico, social, cultural e turístico. São muitas as notícias que vão dando conta do referido. E, quem se dedica a estes temas no meio académico tem produzido provas de que os eventos assumem especial relevância na sustentabilidade do tal desenvolvimento. 
Sempre foram relevantes, com o sector privado a liderar (em quantidade) a organização de eventos e o sector público a tentar acompanhar o ritmo. No que respeita a qualidade, genericamente, sabe-se que em Portugal se faz bem. Cada vez melhor. 
E, se é certo que o sector público não tem que fazer tudo, nem tem de fazer sempre, obviamente não fazer nada estará fora de questão. Portanto, convém equilíbrio, assente numa estratégia cujo objectivo principal seja o desenvolvimento sustentável. 
Dependendo das condições específicas de cada caso, será desejável que os eventos aconteçam com regularidade, em diferentes períodos do ano civil, quando se objectiva a referida sustentabilidade. 
A nível local, as Câmaras Municipais têm sido cada vez mais dinâmicas. 
Através de iniciativas próprias ou com a atribuição de apoios a outras entidades. Certamente, porque os responsáveis políticos (não todos, porque uns são mais proactivos e inteligentes que outros) com poder executivo e decisor, tenham tomado consciência da importância de outros sectores que não apenas o do cimento e alcatrão. 
No âmbito político os eventos têm servido também, erradamente, como “arma de arremesso”. As oposições criticam, por tudo e por nada, pelo muito e pelo pouco. Os Executivos tentam defender e justificar investimentos e apoios. Verifica-se ainda que, os eventos são um recurso utilizado por ambas as partes para auto-promoção, o que não constitui problema, desde que esses eventos beneficiem as comunidades locais. 
Em qualquer município, importa a valorização do capital humano e social, bem como a fomentação da iniciativa privada e da cooperação empresarial. Se um dos objectivos for o desenvolvimento do turismo, há a acrescentar a valorização dos recursos patrimoniais, naturais e culturais. São alguns dos “ingredientes” que permitem o desenvolvimento territorial e o reforço da competitividade. 
E em Vizela? 
A cidade e o concelho são de dimensão reduzida, e sendo certo que nem tudo terá a mesma qualidade e importância, há de facto coisas interessantes a acontecer. Do tradicional/popular ao contemporâneo/moderno. 
De um passado muito recente, há a registar o esforço da Comissão de Festas, no âmbito do evento Vizela Romana, em tentar sensibilizar os mais novos, nas escolas, para aquilo que foi a presença dos Romanos no território e da significância que esse facto continua a ter para a comunidade local; a participação de mais de 4000 pessoas no VII Grande Prémio da AIREV(IPSS), que sendo um evento desportivo é sobretudo solidário, uma causa social; a promoção da Festa de S. João, constituindo a revitalização de uma tradição, por parte da recém-criada associação Festas e Tradições de Vizela. 
Com apoio da Câmara Municipal de Vizela, aqueles eventos estão associados a questões importantes, se se pensar em desenvolvimento, como sensibilização, valorização, solidariedade, revitalização e tradição. 
Também a Câmara Municipal tem sido promotora de eventos que envolvem a comunidade e, em certa medida, ajudam a projectar a cidade e o concelho. Por exemplo, a Festa das Tradições e o Concurso de Bandas. Este último, melhorado face a edições anteriores, atraiu projectos musicais de diversos concelhos das regiões Norte e Centro do país, sendo que a realização de eliminatórias nas diferentes freguesias do concelho permitiu levar diferentes tipos de música a locais e a públicos que, porventura, de outra forma lá não chegariam. São sinais positivos e há potencial para fazer ainda melhor, no sentido da possível criação de uma dinâmica identitária e do desenvolvimento. Contudo, estarão certamente todos conscientes do que foi escrito pela Directora deste jornal há poucos dias; “o investimento de dinheiros públicos deve ter em conta o retorno que tal representará no bem-estar de uma população”. 
Por fim, uma nota simples; neste texto a palavra “eventos” surge, propositadamente, dez vezes, para ajudar a reflectir quem, por conveniência (normalmente política) e/ou ignorância (frequentemente popular), os apelida de “festa”.