Saúde mental preocupa e são já 50 os casos que o SIM segue

A AIREV, através do seu projeto SIM – Saúde e Interpretação da Mente, assinalou o Dia Mundial da Saúde Mental.

Até ao final da semana a população poderá percorrer este túnel do projeto SIM, localizado no Fórum Vizela. Na última quarta-feira, dia 10, assinalou-se o Dia Mundial da Saúde Mental e o SIM da AIREV saiu à rua para se dar a conhecer à comunidade, mas também para alertar para os números que merecem a nossa atenção: uma em cada quatro pessoas adultas e uma em cada cinco crianças sofre de uma doença mental. Foi para dar resposta a estes casos que a AIREV iniciou, em dezembro de 2017, o projeto SIM, uma valência que apoia o doente, mas também os seus familiares, abrangendo o concelho de Vizela, mas também as localidades limítrofes. Nesta altura, o SIM está a acompanhar cerca de 50 casos. “Há um vasto leque de doenças mentais, mas aquelas que predominantemente temos acompanhado são casos de depressões, ansiedade e esquizofrenia. Damos resposta a pessoas desde os seis anos de idade e não é necessário que os casos estejam diagnosticados”, salientou Ana Castro, enfermeira do SIM, gabinete que está em funcionamento no edifício da Ação Social da Câmara Municipal de Vizela (CMV), junto ao Mercado.

“Ainda há muito estigma na sociedade, as pessoas ainda têm muita vergonha de admitir que têm uma doença mental”, reforçou a enfermeira. Ana Machado, terapeuta ocupacional do gabinete SIM, salientou que para combater este estigma estão a ser pensados alguns projetos, sobretudo junto das escolas, tentando, desta forma, “chegar às crianças e aos jovens”. “Muitas vezes sentimos que não só a pessoa que tem uma doença mental é afetada como há uma sobrecarga familiar muito grande e muitas vezes as respostas são escassas. Aquilo que os dados nos mostram é que numa mesma família, por vezes, há mais do que uma pessoa com uma problemática do foro mental”.

Causas genéticas, mas também “o ambiente em que estamos expostos faz com que haja uma maior predisposição para o desenvolvimento destas doenças”, frisou Ana Machado.

 

SIM promove Jornadas da Saúde Mental em novembro

 

No dia 07 de novembro vão realizar-se as primeiras Jornadas da Saúde Mental, onde serão esperadas as presenças de técnicos e especialistas de diferentes áreas para partilharem as suas experiências.

Da equipa do SIM faz também parte a psicóloga Ângela Bravo. A responsável explica o trabalho efetuado ao nível emocional, mas também a vertente da psico-educação junto da família: “Encontramos pessoas com uma grande vulnerabilidade emocional, com grande desgaste, com diagnósticos que se arrastam, por vezes a nível farmacológico as coisas não funcionam ou demoram muito tempo a funcionar, então as famílias chegam a nós muito cansadas”.

A campanha de marketing em torno do SIM iniciou com a iniciativa de quarta-feira. Sara Santos, diretora técnica da AIREV, acredita que a partir daqui mais casos possam surgir devido à maior visibilidade que se se pretende em torno deste projeto. “Já temos lista de espera”, adiantou Sara Santos.  A diretora técnica da AIREV salienta que até à criação do SIM “não havia este tipo de resposta”. “Havia internamentos, resposta hospitalar, mas intervenção comunitária, no domicílio, isso não existia. Queríamos uma intervenção que não se centrasse só no indivíduo que está doente, mas na própria família”.

Fazer refletir a comunidade, fazendo “barulho” em torno de doenças que são silenciosas, são objetivos desta ação do SIM, projeto totalmente gratuito e que tem associado o número de telefone 800 100 147 – uma linha grátis onde os cidadãos podem entrar em contacto com os técnicos.

 

Alberto Sousa, presidente da AIREV

“Estamos atentos à comunidade, deslocamo-nos à casa das pessoas e a gravidade das estatísticas obriga-nos a estarmos cada vez mais atentos. Este é um setor que carece de respostas e o SIM é um projeto único no terreno e que enche de orgulho a mim e à equipa da AIREV”.

 

Victor Hugo Salgado, presidente da CMV

“O projeto inicial tinha uma comparticipação na ordem dos 30 mil euros, entretanto fizemos um reforço e encontra-se agora na ordem dos 60 mil euros. Este é um projeto que merece todo o apoio da CMV pelo facto de ser um projeto pioneiro em Portugal. Esta ação irá permitir atacar o problema muito mais cedo, evitando e a sua agudização e sem os custos associados ao internamento. Desde início que a CMV sempre se mostrou disposta a apoiar este projeto. A área social é prioridade da CMV”.