Rui Ferreira satisfeito com época apesar das dificuldades

O destaque vai para a entrada de novos elementos para a Formação do atletismo no FC Vizela

O treinador Rui Ferreira, lidera a equipa técnica do atletismo do FC Vizela. Uma equipa de que faz parte o seu pai, Joaquim Santos e a treinadora Isabel Silva. No balanço à temporada, o treinador destaca o bom conjunto de resultados que foram conseguidos, apesar das dificuldades, que entende terem surgido decorrentes do trabalho do dia a dia.

Tal como a classe dirigente, também os treinadores sentiram as dificuldades ao longo desta temporada. Dificuldades ao nível das condições de treino. Não foi uma época fácil, pois tivemos dificuldades ao longo dos últimos meses. Isso, inevitavelmente acaba por afetar, o que é feito no dia a dia, no terreno. Os treinadores tiveram que fazer um esforço redobrado para conseguir motivar toda aquela gente. Os atletas, mesmo com a falta de condições de treino, tiveram que fazer um grande esforço, para conseguir manter a sua atividade”.

Ainda assim, considera que tendo em conta essas dificuldades, os resultados foram interessantes. “Os atletas estiveram bem, tendo em conta a realidade do clube e a realidade desta época. Olhando para a relação dos resultados mais expressivos desta época, podemos não ter o número de títulos regionais que já tivemos no passado, mas temos títulos muito interessantes, lugares muito próximos do pódio, que são dignos de registo e alvo do elogio dos treinadores e do clube”.

Uma época marcada pela entrada de mais atletas jovens, para a modalidade. “Dada a conjuntura desta época, há muitos aspetos positivos, um deles e até mais importante que os resultados é termos conseguido captar mais jovens para a modalidade. Para nós, treinadores, a prioridade está sempre na formação das pessoas e só depois é que vêm os resultados desportivos. Essa foi a nossa grande vitória, pois temos muita malta nova, muitos miúdos, alguns deles que nem de Vizela são, temos alguns de Paços de Ferreira e que vêm treinar a Vizela”. A confiança dos pais dos atletas é importante para o treinador. “Isso para mim é motivo de grande satisfação, ver que os pais depositam confiança no trabalho desenvolvido em Vizela, onde apesar das dificuldades podemos fazer boa formação e conseguir bons resultados”.

As dificuldades financeiras não impediram a equipa de participar nas provas agendadas, mas não trouxeram dignidade aos atletas, sobretudo ao nível dos equipamentos. “As nossas dificuldades não nos impediram de participar nas provas. Impediram-nos sim, de trabalhar mais no dia a dia. As dificuldades são, sobretudo, ao nível dos equipamentos e das infraestruturas que não temos. É-nos difícil motivar um atleta para treinar no inverno, com aquelas condições. Vemos clubes com fatos de treino, com equipamentos de competição e nós sempre com muitas dificuldades de estar bem-apresentados como eles. O nosso trabalho é essencialmente de motivação”. Para minimizar as situações precárias de treino, tem sido feito um esforço para que os atletas treinem em Lousada, pelo menos ao fim de semana. Vamos a Lousada, sempre que possível, principalmente ao fim de semana, pois lá há excelentes condições para o treino. Permite maior rigor no trabalho realizado. Com quaisquer condições climatéricas, lá tem todas as condições para praticar a modalidade. Ao longo do ano, as coisas não são fáceis, com treinos feitos em condições precárias, de escuridão, humidade e mau piso no Parque das Termas. Situações que muitas vezes terminam em quedas e lesões”. Garante que os atletas mais velhos não precisam de motivação, para o treino e para o trabalho, ao contrário dos mais novos. “Os atletas adultos são mais fáceis de motivar, pois eles próprios têm os seus objetivos que procuram cumprir de forma muito séria e com muito rigor. O Carlos Monteiro é um exemplo disso mesmo, e tem conseguido bons resultados em todas as vertentes. Até consegue mais do que seria suposto, para a idade dele. Esses atletas são fáceis de motivar, pois para eles a corrida é um escape para os seus trabalhos”. Captar jovens para o atletismo continua também a ser uma missão difícil. “Para nós a primeira dificuldade começa por ser a captação, pois há muitas outras modalidades em Vizela, com o futebol a continuar a dominar e, muitas vezes, os nossos atletas são aqueles que não conseguiram encaixar no futebol. Depois a segunda dificuldade é motiva-los no dia a dia, para que consigam progredir na modalidade”.

 

“Sinto obrigação moral em trabalhar com a Formação do Atletismo”

 

 Diante de um cenário de falta de pagamento, pelo trabalho prestado no FC Vizela, Rui Ferreira garante que a sua equipa nunca perdeu a motivação. “A minha equipa técnica, felizmente, é constituída por pessoas que estão no atletismo há muitos anos, que amam a modalidade e que nunca viram as costas ao trabalho.

Era mais fácil mandar os miúdos para casa e atirar a toalha ao chão. Essa paixão faz com que, aconteça o que acontecer, nunca abandonemos esses jovens que acreditam em nós e que nos têm como referência”, refere.

Sentem-se recompensados de outra forma. “A nossa recompensa é vê-los crescer, vê-los evoluir na modalidade e mais tarde encontrá-los e ouvi-los dizerem que nós contribuímos para aquilo que são nos dias de hoje. Isso é a minha maior recompensa. A minha carreira de treinador levou-me a outros patamares, mas a minha paixão e a minha obrigação, como agente do atletismo, obrigam-me a apoiar estes jovens, dando o contributo à formação, para que no futuro tenhamos sempre atletas de qualidade”.

Um trabalho que tem de ser de continuidade, de persistência e vontade, para ao fim de muitos anos, surgirem atletas como Dulce Félix, Salomé Rocha ou Catarina Ribeiro, que saltaram para a ribalta, às mãos desta equipa técnica. “Engana-se quem pensa que um atleta se faz em alguns anos, são precisos entre 10 e 15 anos para se verem resultados. Já os tivemos no passado e agora temos que esperar para ver esses resultados. Temos muitos miúdos, Benjamins A e B e Iniciados. Já temos pouco Juvenis, porque muitas vezes não se lida bem com o aumentar da exigência e do trabalho. Temos muitos atletas jovens, que para nós começarmos a tirar resultados, temos que trabalhar mais dois ou três anos, para rentabilizar a boa equipa que temos de Iniciados”. 

No final de uma época desgastante, de dificuldades, é natural que os atletas, treinadores e até os pais dos atletas sintam algum receio do que vai ser o futuro da modalidade no FC Vizela. No entanto, Rui Ferreira é otimista: “Eu encaro os desafios com otimismo e dificilmente tenho tido situações de desilusão”.

A equipa está de férias e regressa ao trabalho no dia 01 de setembro, prevendo-se que continuem a maioria dos atletas para a nova temporada.