O mundo de Valença entre quadros e pincéis

Vizelense está com uma exposição na Loja Interativa de Turismo de Vizela até ao fim deste mês.

“Eu inventor sou pouco, não sou criador”, afirma António José Mendes Rodrigues, ou Valença, como é conhecido no mundo artístico. O vizelense de 51 anos de idade, que está com uma exposição na Loja Interativa de Turismo, esteve na Rádio Vizela para falar do seu trabalho.

Foi o seu pai que lhe apresentou o mundo das cores e dos pincéis. O pai de Valença nunca pintou quadros, mas pintava murais e capelas e foi este o universo que conheceu ainda jovem. “Baldei-me dos estudos, não dava para mim, então fui trabalhar para a empresa do meu pai”. Na altura, Valença tinha 14 anos. Foi com esta idade que começou a trabalhar na construção civil, depois foi carpinteiro, e a seguir iniciou-se na pintura ao lado do pai: “A partir daí foi sempre a andar nas obras. Quanto aos quadros, esse tipo de pintura começou mais tarde. Já pintava mas era em murais, capelas, sempre com o meu falecido pai”.

Dois anos depois da morte do seu pai, foi através de um amigo que começou a pintar quadros: “Um colega pediu a um outro colega meu, que é pintor, o Arnaldo [Macedo], para fazer um quadro de Vizela, mas ele nunca mais lhe fazia o quadro. Então eu disse, traz-me o quadro que eu trato disso. Isto vai há cerca de nove/dez anos”. Esta foi a sua primeira experiência na área. “Nunca tinha pintado para mim”, disse à Rádio Vizela. “A partir daí é que comecei a embrenhar-me na pintura. Ganhei gosto por aquilo e comecei a praticar”, explicou Valença. Foi assim que os quadros passaram a fazer parte da sua vida, mas não são o seu “ganha-pão”: “Não faço disso um modo de vida. Pinto uns dez quadros por ano, depende da disposição. Às vezes ando seis/sete meses sem pintar nada e depois pinto uma “porrada” deles.

 

“Não faço carreira, não vivo disso”

 

Valença confessa que aquilo que mais gosta da pintura “são os restauros”, “mas praticamente ninguém faz isso, pois casas antigas aqui só há duas que ainda mantêm a tradição”. “De resto, foi tudo pintado por cima e apagado”.

“Tudo o que sei aprendi com o meu falecido pai, ele não pintava quadros, pintava murais, capelas, igrejas”, recorda Valença.

O vizelense é autodidata, nunca teve nenhuma formação em pintura, mas a veia artística vem do seu pai e dos seus antepassados: “Segundo sei - dizem alguns familiares -, um trisavô ou bisavô do meu falecido pai andou nas belas artes, no Porto”.

As únicas exposições que fez ficaram apenas dentro das fronteiras do concelho, mas já vendeu alguns trabalhos: “As pessoas pedem-me, às vezes encomendam-me e pinto”. “Só expus em Vizela, não faço carreira, não vivo disso”.

 

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