Nelson Silva não assume candidatura do CCD à subida

Treinador satisfeito com prestação dos jogadores afirma que para já o objetivo da manutenção está a ser cumprido

O CCD de Santa Eulália partiu para esta temporada, com objetivos de garantir rapidamente a manutenção. No entanto, as vitórias têm surgido e o clube fechou a primeira volta em condições de lutar pelo primeiro lugar. Uma pretensão que o treinador Nelson Silva recusa, referindo que o Santa Eulália não tem condições financeiras para ir ao mercado de inverno.

O Campeonato do Pro Nacional da AF Braga está a ser o mais competitivo dos últimos anos, sendo rara a semana em que não surja um novo líder, tendo o CCD já passado também por esse posto. Á partida para esta época, a direção dos eulalenses presidida por Carlos Faria fez questão de definir objetivos modestos, tendo em conta os constrangimentos financeiros, fruto das verbas disponibilizadas para a construção de infraestruturas do clube. Ainda assim, a equipa tem superado as expectativas, tendo a primeira volta fechado com um balanço positivo, segundo o treinador Nelson Silva. “Um balanço até agora francamente positivo. Sabíamos que as coisas não iam ser fáceis, que as equipas estavam bem apetrechadas e competitivas. Nós ficámos com o grosso do plantel da época passada e tentámos colmatar algumas lacunas que tínhamos. Felizmente, os novos jogadores entraram bem no grupo. Temos um plantel muito jovem e isso por vezes nota-se, mas apesar de tudo, faço um balanço francamente positivo quer à primeira volta, quer ao início desta segunda”.

O treinador está a contar continuar a trilhar este caminho, mas vai avisando para a qualidade e competitividade das equipas presentes nesta prova. “Acho que os resultados positivos poderão continuar a acontecer. No entanto, outros jogos haverá de onde sairemos derrotados. Não jogámos sozinhos, defrontámos boas equipas, que até se apetrecharam melhor que nós. Cada um luta com as armas que tem e tudo pode acontecer. Já temos visto de tudo, até o último a ganhar ao primeiro. O líder já mudou várias vezes e nós já lá estivemos também. Sabia que iriamos passar por momentos menos positivos também, porque é fruto da composição do plantel”. 

A equipa tem apresentado algumas oscilações, uma situação que considera normal, até pela juventude existente no plantel. “Temos jovens de valor, mas ainda estão a iniciar o seu caminho e isso paga-se caro no futebol. Este campeonato é fértil em surpresas, as equipas estão todas muito niveladas e isso faz com que a derrota e a vitória estejam sempre muito próximas. Tem acontecido isso, tivemos quatro jogos sem vencer, mas depois conseguimos também muitas vitórias consecutivas e temos mantido, por isso, os primeiros lugares”.

Nélson Silva acrescenta que o grupo de trabalho tem definidas algumas metas e acredita que poderá alcança-las, pois está forte e saudável.

“Acho que temos valor para continuar nos primeiros quatro ou cinco lugares. Se fizermos 58 pontos, acho que ficamos nos primeiros lugares. Para já não quero fazer essas contas, o que queremos atingir rapidamente são os 45 pontos. Foi esse o objetivo que foi traçado no início da época, para alcançarmos a manutenção. Lancei o desafio aos jogadores para atingirmos a primeira volta, com 30 pontos, fizemos 29. No lançamento do ano civil de 2019 lancei outro repto aos jogadores que passa por fazer o mais breve possível os 45 pontos. Quando os atingirmos, vamos redefinir os nossos objetivos. Estamos aqui para ganhar todos os nossos jogos, conhecendo as nossas ambições, mas também limitações”.

 

“Preparar o futuro e continuar a somar pontos”

 

A aproximação aos lugares cimeiros coloca, sobretudo os adeptos, a sonhar com algo mais do que a manutenção, no entanto o treinador acalma os ânimos e rejeita candidatura à subida. “O CCD nunca será candidato à subida. Pode ganhar os jogos difíceis que se avizinham, mas se não ganhar, ficará tudo tranquilo na mesma. Temos ambições, mas não nos vamos afirmar como candidatos, pois sabemos das nossas limitações em termos de orçamento. Agora todos querem vencer, pois há a ambição de muitos jogadores atingirem outros palcos, assim como a minha própria ambição de chegar mais longe do que o que estou, mas isso são ambições pessoais. Estamos cá para preparar o futuro do clube e destes jovens”, afirma. Nélson Silva vai mais longe e diz que o clube não irá reforçar-se no mercado de inverno, em primeiro lugar, porque não há orçamento para tal e depois porque a equipa está com os jogadores que tem a alcançar os objetivos definidos. “Não sei se entrassem mais três ou quatro jogadores, teríamos condições para lutar pala subida. Se calhar o plantel ficava mais competitivo e todos nós sabemos que no futebol, quanto mais competição interna houver, melhor será o jogo. Sobe o nível de treino, de jogo e é claro que os resultados também iriam ser melhores. Agora todos sabemos que o clube não tem possibilidades financeiras para ir ao mercado”. O presidente do CCD, Carlos Faria, comunga da mesma opinião, “já estive a conversar com o presidente, mas ele não mostrou abertura, porque não tem condições para o fazer. Eu compreendo a situação, pois quando estruturei a equipa para esta época sabia das condições existentes. Não estou obcecado com nada, apenas estou focado no dia a dia, para fazer tornar estes jogadores melhores ainda, a cada semana, para disputarem e vencerem os jogos”.

Recorda a entrada de reforços, no ano passado, por esta altura, mas numa altura em que o clube estava claramente em outra situação. “O ano passado reforçamos, porque saiu gente e porque estávamos numa posição aflita. Esta época o plantel foi elaborado para a manutenção e está dentro das expectativas. Agora se me pergunta se esta época, com mais alguns jogadores podiam lutar pela subida? Se calhar sim, mas não vou pedir esse esforço à direção, pois sei a situação em que está o clube e até onde pode ir, em relação ao Orçamento. Acrescenta que por esta altura tem o que foi acordado no início da temporada e por isso, não faz sentir exigir mais. “Quando aceitei este lugar, já sabia com o que contava e não vou agora por estar em quarto lugar, colocar-me em bicos de pés e exigir mais jogadores, para subir de divisão. Se houver uma oportunidade de mercado, quem sabe podemos partir parra essa situação, se for boa para nós e para os jogadores”. Com os que tem vai tentar continuar a vencer, até porque como afirma, tudo está em aberto para a sua equipa. “Estamos em quarto lugar, estamos nos oitavos de final da Taça, estamos em luta em todas as competições onde estamos inseridos e na luta diária por sermos cada dia melhores”.