Marco Martins recorda dificuldades vividas no The Munga

Temperaturas máximas bateram recorde nos dois primeiros dias da prova da África do Sul

Depois do regresso a Portugal, para iniciar a longa recuperação, que a presença no The Munga necessita, Marco Martins esteve na Rádio Vizela, onde acedeu a recordar alguns dos momentos que marcaram esta sua terceira participação, que considerou a “mais difícil de todas”. 

Depois de ter vencido em 2017, e das dificuldades de saúde em 2018, desta vez foram as altas temperaturas a dificultar a ação do atleta vizelense.  “Foram três anos e as dificuldades foram sempre diferentes, mas sem dúvida que este ano as temperaturas altas foram a minha grande dificuldade. Segundo a organização foram batidos todos os recordes ao nível das temperaturas máximas, que chegaram aos 54 graus centigrados, durante os dois primeiros dias da prova”. Problemas com a desidratação foram surgindo, pois, o calor intenso levava a que ingerisse mais líquidos do que em situações normais. “Tive grandes dificuldades em gerir a água, entre os postos de abastecimento.  No primeiro dia e apesar dos quatro litros, que em condições normais me dariam para cinco horas, nem às três horas chegaram e fique desidratado.  Outra dificuldade foi manter o ritmo para não deixar fugir os da frente, mas não foi fácil”.

A ajudar a tudo isto, esteve ainda ritmo elevado com que a prova arrancou. “O atleta que acabou por vencer a prova impôs um ritmo muito forte e logo aos 10 km, o vencedor do ano passado seguiu com ele, para depois desistir. Eu ainda tentei acompanhá-los, mas percebi, que ia piorar a minha situação. Acabei por ficar sem água a 20 km do ponto de assistência acabei por desidratar e passei ali um mau bocado. Consegui manter a distância para os da frente, até ao meio da manhã do segundo dia, mas depois comecei a me ressentir do calor. Fiquei de novo sem água e a muito custo conseguiu chegar ao próximo ponto de paragem, mas em muito mau estado, totalmente desidratado”.

 

“The Munga é agora um capitulo encerrado para mim”

 

 Marco Martins admite que pensou em desistir quando chegou à Race Village 3, quando parou as quatro horas. “A primeira hora que estive lá, fiquei parado a pensar se desistia ou não. Tomei um banho, tentei arrefecer-me com gelo, comi e descansei um pouco e decidi seguir caminho, isto já de noite”. Ainda assim, o sono fê-lo parar pouco tempo depois e a beira da estrada foi a solução, mesmo correndo o risco de ser picado por um escorpião, um dos habitantes daquelas paragens.  Fiz mais cerca de 20 km, mas quase adormeci em cima da bicicleta, então parei deitei-me no chão, junto ao estradão, onde já estava outro concorrente, mas que já estava pior do que eu, a alucinar e a ver coisas”, conta.  “Dormimos cerca de uma hora e voltamos a arrancar. Ainda estive com ele até aos 800 kms, mas como ele estava a andar num ritmo tão baixo e a ficar para trás, tive que ir à minha vida”.

Se por um lado o corpo e a mente pedem descaso, por outro lado Marco Martins temia perder tempo para os da frente. Um dilema que ficou resolvido com a opção de terminar apenas a prova. “É sempre complicado decidir quando parar e por quanto tempo, pois apesar de necessitarmos de descanso não sabemos comos estão os que vão à nossa frente, se vão ou não parar. Por vezes temos que abdicar da luta pela vitória e optar por acabar a prova, que foi o que fiz, quando vi que os dois da frente se distanciavam cada vez mais”.