"Guarda Rios" envolve população na preservação dos rios

Câmara de Lousada tem tido um papel ativo em termos ambientais.

Manuel Nunes, vereador da pasta do Ambiente na Câmara Municipal de Lousada, falou do projeto que deve, neste primeiro passo, envolver cerca de meio milhar de pessoas - o "Lousada Guarda Rios". Os interessados vão adotar um espaço no curso de água e tratar dele. Confira um excerto da entrevista que poderá conferir na íntegra na edição desta semana do RVJornal.

RVJornal (RVJ) – Como nasce a iniciativa “Lousada Guarda Rios”?

Manuel Nunes (MN) – Nasce no âmbito daquilo que é a nossa estratégia municipal para a conservação da natureza e educação ambiental. Está inserida naquilo que são as nossas orientações para o ordenamento e valorização do território e que são uma urgência, de certa forma. Lousada, apesar de ser bafejada pela natureza porque tem de facto muitos cursos de água, alguns principais, outros mais pequenos, a verdade é que o estado ecológico e o estado de abandono em que se encontram as margens e a degradação mesmo patrimonial, tem feito com que os rios fiquem em segundo plano. Ora o objetivo é coloca-los na agenda do dia porque são eles que transportam a água, que é vital para a nossa existência.

O objetivo é envolver as comunidades – ribeirinhas e não só – locais em parceria com o Município em programas de inspeção e de monitorização do estado ecológico dos rios e ribeiros, através da adoção de troços e da participação em ações de limpeza e de melhoria ambiental, como a remoção de plantas invasoras ou a plantação de árvores. A ideia é envolver as pessoas e tornar as comunidades corresponsáveis neste projeto.

E a participação é simples, basta adotar qualquer espaço nestes cursos de água que descrevi. Basta selecionarem um troço, ou mais, que interesse monitorizar, acompanhar e intervir nos próximos anos, inscrevem-se no site do Município, e adotam o espaço. Recebem um kit, composto por um colete com indicação “Guarda Rios”, uma mochila, um guia e material de campo, etc. Os resultados serão depois avaliados e este projeto é direcionado a pessoas individuais, grupos ou coletividades, Todos serão bem-vindos.

RVJ – Os participantes terão que ter alguma formação de práticas ambientais…

MN – Claro. Todos serão envolvidos em formações prévias porque é importante que saibam o que devem fazer e de que forma. Esperamos deles o passa a apalavra para que o projeto possa crescer nas comunidades envolvendo cada vez mais pessoas na defesa dos recursos naturais.

Depois, é um processo de aprendizagem em ação. À medida que vão para o terreno as pessoas vão aprendendo a agir. Não se pede que se equiparem aos antigos guarda rios mas espera-se que se sintam importantes no processo. Os cursos de água quando são protegidos recuperam em pouco tempo a sua vitalidade e é isso que se pretende.

RVJ – Quais as suas expetativas em termos de participação a população?

MN – Nós já temos grupos inscritos informalmente. A expetativa é que agora, a partir deste mês de janeiro, possamos ter largas centenas de pessoas a participar. É evidente que sendo este um projeto a curto prazo, não estou à espera que, no imediato, consigamos atingir os objetivos logo de imediato. Mas queremos ter grupos, famílias a adotarem os troços para protegerem os cursos de água. Muitas vezes os atentados ambientes decorrem por negligência, por desconhecimento e por erros e é importante haver gente no terreno que saiba. Esperamos ter resultados a curto prazo e vamos estar atentos querendo formar mais participantes. Neste primeiro ano, contamos com quatro ou cinco centenas de pessoas inseridas no projeto, sendo já uma vitória porque estamos a falar de voluntariado.