Educação em Vizela foi o tema do "Especial Informação"

Agrupamentos de Escolas de Vizela com quase tudo pronto para o próximo ano letivo que arranca com mudanças.

A Educação em Vizela foi o tema em debate no Especial Informação da Rádio Vizela, no passado sábado, dia 22. Os convidados foram Abílio Costa, diretor do Agrupamento de Escolas de Vizela, e Filipe Gonçalves, subdiretor do Agrupamento de Escolas de Infias. Em “avaliação” esteve o ano letivo que agora está terminado e fez-se a antevisão ao próximo, que se inicia em setembro.

 

RVJornal (RVJ) – O que correu melhor e pior neste ano letivo no Agrupamento de Escolas que dirige?

Abílio Costa (AC) – Estamos numa época em que o sistema educativo está com algumas alterações, foi um ano letivo que correu dentro da normalidade, sem qualquer tipo de instabilidade no Agrupamento de Escolas de Caldas de Vizela. Não tivemos falta de professores, se calhar, o que não correu tão bem, tem a ver com aquele problema que foi muito badalado durante o ano letivo que é, em algumas escolas, a falta de assistentes operacionais. Relativamente ao ano passado tivemos taxas de sucesso superiores em todos os anos de escolaridade, realçando que no 9º ano tivemos 100% de sucesso. Também estamos com algumas medidas de promoção de sucesso escolar que foram adotadas pelo nosso Agrupamento, medidas essas que incidem, principalmente, sobre a Língua Portuguesa e Matemática e estamos agora na análise e na avaliação desse plano e desse projeto e, tudo prevê que foi um projeto que veio melhorar, efetivamente, as aprendizagens dessas duas disciplinas para os alunos que frequentam o Agrupamento.

 

RVJ – E quanto ao Agrupamento de Escolas de Infias?

Filipe Gonçalves (FG) - Podemos considerar que foi um ano extremamente positivo e a nível de resultados foram mais positivos do que o que tem sido nos anos anteriores. Ao nível da avaliação externa, ou seja, nos resultados dos exames, também nos surpreenderam pela positiva. Nas principais disciplinas, estamos consideravelmente acima da média nacional em Físico-Química A, Matemática, Português, Biologia e Geologia, o que nos deixa muito satisfeitos. Em relação aos outros anos, também os índices de transição e aprovação são superiores aos que nós tínhamos tido até aqui. É claro que as medidas de promoção de sucesso educativo começaram a dar resultados. Tal como disse o professor Abílio, com um maior apoio a Português e a Matemática estão a existir melhores resultados. Também a nível positivo tivemos a avaliação externa, que decorreu este ano por parte da Inspeção Geral da Educação. Menos positivo, talvez a parte dos funcionários até porque nunca temos o ideal. Neste momento, acho que já estabilizámos, já está melhor, mas, provavelmente, foi o menos conseguido.

 

“Nós temos capacidade para a procura que os alunos fazem do Agrupamento”, Abílio Costa

 

RVJ - Há escolas em Vizela que correm o risco de fechar devido à falta de alunos?

AC - Não há escolas em risco de fechar no Agrupamento de Escolas de Caldas Vizela, ao contrário do que por vezes a opinião pública passa para o exterior. Nós temos capacidade para a procura que os alunos fazem do Agrupamento. Claro que há escolas mais procuradas do que outras e nessas, efetivamente, as vagas esgotam-se como aconteceu este ano letivo. Temos duas escolas, há uma delas que todos os anos dizem que vai fechar, que é a Escola Básica Joaquim Pinto e que, neste momento, no primeiro ano de escolaridade está completo. Tivemos inscrições excedentárias nessa escola que tiveram de ser conduzidas para outras escolas do Agrupamento ou até para o Agrupamento de Infias. Relativamente à Escola Básica, mais conhecida por ciclo, ela está completa. Temos 30 turmas e temos a necessidade de deslocar alunos, para a Escola Secundária, do 7º, 8º e 9º anos de escolaridade, principalmente as turmas que têm ensino articulado da música.

No ensino secundário, está-se a refletir a falta de natalidade e tem havido um decréscimo relativamente aos alunos que a frequentam. Há escolas, há instalações, de muito boa qualidade, e a distribuição dos alunos nem sempre é da mesma forma que desejamos, principalmente nas freguesias menos populosas. Temos também turmas mistas nas escolas mais pequenas, na Escola de Lagoas e na Escola Básica do Monte.

 

RVJ - É essa a realidade no Agrupamento de Escolas de Infias?

FG - Sim. Escolas em risco de fechar não temos neste momento. Freguesias mais pequenas têm o problema que também têm menos alunos. Houve o decréscimo de natalidade, isso reflete-se, estamos a sentir isso. Todos os anos tem havido uma redução do número total de alunos. Na Escola Básica e Secundária de Infias, nós temos 32 turmas a funcionar, mas também tem havido um decréscimo dos alunos, mas menos acentuado. Relativamente a turmas mistas, este ano letivo que acabou agora, não tínhamos nenhuma, no próximo ano letivo, em princípio, vai funcionar uma mista em Tagilde, porque o número total não dá para fazer duas turmas.

 

“Vamos ter o projeto piloto de flexibilização curricular unicamente no 5º ano”, Filipe Gonçalves

 

RVJ - para o próximo ano letivo que mudanças são esperadas?

AC - O Agrupamento de Escolas de Caldas de Vizela não vai operar grandes diferenças relativamente a este ano que está a terminar. Claro que há escolas-piloto que partem agora para a flexibilização dos currículos. Nós não avançámos, primeiro porque somos um Agrupamento de grande dimensão, que por vezes a sua gestão interna não é assim tão fácil quanto isso, depois, porque a flexibilização cria algumas dinâmicas que nós, Agrupamento de Escolas de Vizela, ainda não estamos sensibilizados para essa aplicação imediata.

 

RVJ - O Agrupamento de Escolas de Infias voluntariou-se a este projeto?

FG – Vamos ter o projeto piloto de flexibilização curricular unicamente no 5º ano. Vai ser um ano de experimentação, mas acreditamos que vai ser positivo. Vai ser diferente pelo menos.

 

RVJ – Em termos concretos o que vai mudar no 5º ano?

FG - Em primeiro lugar, [os alunos] vão ter disciplinas como todos os outros tinham até agora, vão ter disciplinas novas como Cidadania e Desenvolvimento, vão ter, no nosso caso, Artes Performativas, mais centradas no teatro e na dança, e vão ter uma abordagem diferente. Pretende-se que, cada vez mais, os alunos sejam intervenientes no seu processo de aprendizagem para que eles sejam mais criativos, mais autónomos e, também, para que estejam mais motivados para a aprendizagem. Por isso, vai estar mais organizado, mais centrado no aluno, o professor tem um papel importante mas mais como orientador das aprendizagens. Para além disso, ao longo do ano vão trabalhar de uma forma diferente, vai haver temas aglutinadores - em princípio, um tema por período - em que todas as disciplinas vão trabalhar em conjunto para desenvolver esse tema. Para além disso, vai haver momentos em que as disciplinas vão estar a trabalhar semanas de reflexão de trabalho diferente e vamos tentar que os pais também se envolvam muito neste processo. Referir que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento terá 50 minutos semanais e as Artes Performativas 100 minutos semanais.

 

RVJ – Há mais alterações para o próximo ano, nomeadamente, no 1º ciclo…

AC - O que acontece agora no 1º ciclo é que o recreio que os alunos tinham, de 20 ou 30 minutos, dependente da escola e daquilo que foi decidido, era uma atividade que não fazia parte da componente letiva do professor. O professor fazia o seu acompanhamento não na atividade letiva mas numa área e num serviço de componente não letiva da escola. Agora o que vai acontecer é que as atividades letivas que terminariam às 12h30 começam a terminar às 12h00 porque já está incluída na parte letiva para os alunos. Significa que a hora de almoço, que não é intervalo, terá mais meia hora, portanto, das 12h00 até às 14h00. Isso tem outras implicações, já que falámos há pouco de assistentes operacionais. A hora de almoço é um espaço que está da responsabilidade ou da Associação de Pais ou de quem promove o almoço, neste caso, a autarquia. Portanto, se havia falta de recursos…

 

RVJ - Foi uma opção do Agrupamento ou vai ser assim em todos os casos?

AC - No caso do nosso agrupamento, foi a opção que nós considerámos mais viável.

 

RVJ - E no caso do Agrupamento de Escolas de Infias?

FG - No Agrupamento de Escolas de Infias a decisão final ainda não está tomada. Neste momento, em princípio, vamos manter uma hora e trinta minutos de almoço, ou seja, entre as 12h30 e as 14h00. O que vai acontecer é que entre as 15h30 e as 16h30, nós vamos ter uma hora de intervalo em vez de ter, como até aqui, que era das 16h00 até às 16h30. Ou seja, entre a componente letiva e as AEC’s, vamos ter um aumento de meia hora, embora não esteja fechado mas tudo leva a crer que vai ser esta opção que iremos tomar.

 

RVJ – A Escola Secundária de Vizela vai ser intervencionada. O que está previsto na obra e quando vai para o terreno?

AC - Vai ser uma requalificação efetiva na parte estrutural do edifício. Portanto, não vai haver construções novas, não vai ter nenhum aumento de espaço de ocupação da escola, irá ser só nos edifícios, naqueles que estarão mais degradados, naquelas infraestruturas que já têm 31 ou 32 anos. Será, essencialmente aí, de uma forma geral, em instalações elétricas, coberturas e pisos. Ainda não sei quando vai começar a obra.

A primeira fase será a curto prazo, uma intervenção no pavilhão desportivo, que será até ao final deste ano civil, a outra obra não sei. Claro que já temos trabalhado nesse sentido por forma a saber como é que vamos gerir o espaço de escola e o espaço de obra.

 

RVJ - Há outras escolas a precisar de manutenção?

AC - No Agrupamento de Escolas que dirijo, a nível de parque escolar vamos ter uma pequena intervenção na Escola do Monte e uma também pequena, penso eu, na Escola de Lagoas. Existem condições excelentes. Só precisamos é de alunos em algumas escolas, não é em todas. Como instalações e equipamentos, temos escolas muito boas.

 

“Há obras que são importantes fazer”, Filipe Gonçalves

 

RVJ - E em Infias, o que seria necessário ao nível do parque escolar?

FG - A nível de escolas elas também estão bem equipadas. Temos uma muito boa que é a Escola Básica de S. Miguel que tem condições excecionais. As outras do 1º ciclo e Jardins de Infância também estão bem equipadas, têm sofrido melhoramentos constantes muito também por ação das Associações de Pais que têm feito um trabalho extraordinário a esse nível. A Escola Básica e Secundária de Infias, este ano, teve um bloco inteiro que foi intervencionado, a nível de pisos, de pinturas, isto vai fazendo com que ela se mantenha com condições aceitáveis. É claro que não são as ideais, há obras que são importantes fazer, nomeadamente coberturas, algumas infiltrações que é normal num edifício com 12 anos, mas ainda está em relativas boas condições.

 

RVJ – O que mais podem dizer sobre o próximo ano letivo?

AC - O ano letivo já está praticamente pronto. Temos já esta semana a colocação de professores, as turmas estão praticamente finalizadas. Não temos nenhum imponderável que possa travar ou condicionar o início do ano letivo que, em princípio, no Agrupamento de Escolas de Caldas de Vizela será no dia 13 de setembro. Quero sublinhar as parcerias que as escolas têm com as Associações de Pais, principalmente nos Jardins de Infância e nas Escolas Básicas do 1º ciclo. É, efetivamente, uma mais-valia, porque que sem elas muitas das situações que as escolas passam no dia a dia não seriam possíveis de realizar.

 

RVJ – No caso de Infias, tudo pronto para o próximo ano letivo?

FG - Está também praticamente tudo pronto. Já estão as turmas aprovadas, está a ser feita a distribuição de serviços entre os professores, mas, certamente que vai ser um arranque com normalidade, só se houver uma surpresa de concursos que às vezes acontece. Esperemos que não, mas está tudo preparado para arrancar, para mais este desafio. É óbvio que a parte das Associações de Pais é extremamente importante e, felizmente, nós temos Associações de Pais muito ativas. Já agora, no Agrupamento de Infias, as apresentações serão no dia 12 de setembro.