Edifício do “Castelo” para vender em hasta pública

A proposta de hasta pública para alienação de imóvel foi levada à reunião do Executivo Municipal.

O preço base fixado é de 1 milhão e 400 mil euros, sendo este um edifício para reconverter numa unidade hoteleira, de pelo menos quatro estrelas, entre 80 a 100 quartos. 

A proposta foi aprovada, por maioria, com os votos contra do Partido Socialista (PS). “Hoje é um dia muito triste, é um dia que vai ficar na história de Vizela como a venda, por parte deste Executivo liderado por Victor Hugo Salgado, do mais emblemático símbolo da luta pela criação do concelho de Vizela”, afirmou Dora Gaspar. A vereadora do PS lembrou o programa eleitoral do Movimento Vizela Sempre, que pretendia para o local um centro empresarial, e o programa da Coligação PSD/CDS-PP que via neste edifício a possibilidade de o reconverter, por exemplo, numa biblioteca municipal e numa casa da cultura. “Vêm os mesmos movimentos partidários, que estão a gerir a Câmara Municipal de Vizela (CMV), colocar o “Castelo” à venda por 1 milhão e 400 mil euros, um mês depois do presidente da Câmara ter dito que estava a estudar a conceção daquele espaço”, disse a vereadora. Dora Gaspar não aceita o argumento da falta de dinheiro da CMV para requalificar este edifício, pois, no seu entendimento, a autarquia vai fazer um “investimento avultado (800 mil euros) naquilo que é dos outros” e um dos exemplos que deu prendeu-se com a transformação do Cine-Parque em auditório, um espaço da propriedade da Companhia dos Banhos de Vizela. “É mentira que diga que o faz porque a Câmara não tem dinheiro para o reabilitar, a Câmara tem dinheiro para o reabilitar e os documentos da Câmara provam isso mesmo”, referiu Dora Gaspar, acrescentando: “Há projetos para aquele espaço orçados, em 2008, em cerca de 5 milhões de euros, e ao fim de 10 anos, este valor não duplicaria, a inflação não duplica e, portanto, não é verdade aquilo que está a ser dito”.

Para Fátima Andrade, trata-se de uma proposta que “ficará nos anais da história de Vizela”. A vereadora da Coligação PSD/CDS-PP criticou a inércia dos anteriores Executivos que não reabilitaram o edifício e o deixaram ao abandono, contudo, disse, não sendo esta a solução desejável, é a solução possível. “Há decisões que são difíceis de tomar e tenho a certeza que todos os vizelenses têm muita pena que o edifício do “Castelo” tenha que ser alienado o património municipal, (…) mas agora coloca-se a questão prática: mas a Câmara tem dinheiro para recuperar aquele imóvel de grande importância para os vizelenses? Não tem, a Câmara não tem os milhões que são necessários para reerguer e dar dignidade àquele espaço”. Por isso, disse a vereadora: “Não vejo outra solução que não a venda”.

Para o presidente da CMV, esta não foi “uma decisão fácil”, contudo, “o “Castelo” não pode continuar como está”. Victor Hugo Salgado criticou a posição do PS que não “quer vender o “Castelo” e que quer construir neste local um auditório, uma biblioteca e um museu”. “Como o PS se propõe executar a proposta que apresenta? Não vende o “Castelo”, não faz o encaixe de 1 milhão e 400 mil euros, não o pode deixar abandonado e tem de fazer um investimento que no mínimo será de 7 milhões de euros, onde o PS vai buscar 7 milhões de euros?”. Na opinião de Victor Hugo Salgado, a proposta do PS “não é exequível” porque “a CMV não tem 7 milhões de euros para gastar no “Castelo”. “Todos os vizelenses concordam que aquilo não pode continuar como está, que é lamentável terem feito um investimento de 900 mil euros [com a compra a compra do imóvel] e o edifício está-se a degradar, é preciso uma solução”. A solução encontrada passará, por isso, por vender o imóvel, com toda a área de terreno existente, com o objetivo de o transformar numa unidade hoteleira, atendendo a que o turismo é um dos setores de atividade com previsão de crescimento nos próximos anos.