Dia Mundial da Hemofilia: “Há esperança no futuro”

Caetano Martins, no programa “Hora H” contou o seu dia a dia como hemofílico.

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Hemofilia, data também conhecida como Dia Mundial do Hemofílico.

Esta manhã, no “Hora H”, Caetano Martins, hemofílico, esteve à conversa com Helena Lopes, para partilhar a sua história e a forma como lida com esta doença que, sabe, o vai acompanhar para todo o sempre. A sua companhia na Rádio Vizela, entre as 22h00 e as 24h00, às quintas-feiras, com o programa “Horizontes”, aprendeu, dia após dia, a lidar com esta doença que afeta, estima-se, 1000 portugueses.

Assinalar este Dia Mundial do Hemofílico é importante para quem padece da doença mas, referiu, “também para quem lida de perto com a doença”. “A hemofilia é uma doença no sangue, uma deficiência num dos fatores de coagulação, e que prima pelas hemorragias internas que são incapacitantes e dolorosas. Os que lidam com hemofílicos necessitam de saber quais os procedimentos para um bom tratamento de pessoas com esta patologia”. A informação de como cuidar em caso de urgência é fundamental passar para a família do hemofílico mas não só, também para os amigos, para os colegas de trabalho, para os professores ou para os funcionários da escola.

Caetano Martins disse também que não é qualquer hospital que tem capacidade para tratar um hemofílico. Ao todo são cinco ao nível nacional e há procedimentos que devem ser feitos no imediato em caso de urgência. “Sangramos muito internamente, são hemorragias internas que o nosso organismo não controla por carência do fator de coagulação. Esse sangue concentra-se nos membros e temos que repor esse fator para estancar a hemorragia. Se não o fizermos, temos dores tremendas, perdemos capacidades motoras. Faltei muito à escola, ao trabalho”. Mas, hoje em dia, os mais novos têm outros tratamentos inexistentes outrora. Há a prevenção ao máximo dessas hemorragias através de um tratamento adequado duas ou três vezes por semana.

Mas é possível ter uma vida normal, dentro das possibilidades? “Sim, tenho colegas com uma vida normal, os mais novos essencialmente porque tiveram outro tipo de tratamento. Os mais velhos porque já têm as articulações mais danificadas, por falta de tratamento adequado em tempos, já é mais complicado ao nível de locomoção. Mas tenho uma vida normal, uma família constituída, o meu trabalho e a minha vida social perfeitamente organizada”, disse Caetano Martins.

Perante a hemofilia, destaca o bom Serviço Nacional de Saúde: “Temos um Serviço Nacional de Saúde que faz tudo ao melhor nível, com bons médicos que nos ajudam imenso quando precisamos deles”.

Caetano Martins é membro da Associação Portuguesa de Hemofilia, que promove várias atividades ao longo do ano. A missão é sensibilizar a comunidade dando-lhe informação sobre os tratamentos, incentivando à prática de desporto, entre eles o mais adequado para o hemofílico que é a natação. O tratamento para os hemofílicos está a melhorar a qualidade de vida do doente e há boas perspetivas para o futuro, acredita Caetano Martins.

Uma efeméride desenvolvida desde 1989 pela Federação Mundial de Hemofilia, uma organização sem fins lucrativos que atua em 113 países do mundo e que foi fundada por Frank Schnabel em 1963.

O dia 17 de abril foi escolhido para celebrar o Dia Mundial da Hemofilia por ser o aniversário de Frank Schnabel. O objetivo deste dia é consciencializar as populações para a hemofilia e para outras desordens sanguíneas.