Contentorização do lixo por fases é opção do Executivo

No entanto, a mesma não agrada à oposição, ou seja, ao Partido Socialista.

O Executivo Municipal de Vizela aprovou, por unanimidade, na reunião desta terça-feira, dia 07, os procedimentos relativos à aquisição dos equipamentos que virão permitir a contentorização enterrada do lixo. Este é o tema que está na ordem do dia, uma vez que representará uma alteração no paradigma da recolha dos resíduos sólidos urbanos em Vizela, o que exigirá uma mudança na rotina dos munícipes deste concelho.

Ainda no período antes da Ordem do Dia, a vereadora Dora Gaspar quis apresentar uma recomendação, que a mesma defendeu ir ao encontro da estratégia apresentada pelo PS, ainda em tempo de campanha eleitoral, e que se designava como “Vizela mais Limpa”. Desta feita, recomendou a implementação de uma ação de informação, sensibilização e educação para o ambiente, envolvendo toda a população e a oferta de pequenos contentores para a separação de resíduos recicláveis com vista a aumentar as taxas de reciclagem e, consequentemente, diminuir a fatura municipal com a recolha do lixo.

PS apresentou Recomendação por uma “Vizela mais Limpa”

Mas Dora Gaspar não ficou por aqui. Defendeu que a nova estratégia de recolha dos resíduos sólidos urbanos, nomeadamente a aquisição do equipamento, deveria ocorrer na sua plenitude até 2021, ao mesmo tempo que deve ser valorizado o ecocentro, ao ser implementada uma redução extraordinária da tarifa do lixo às “famílias recicladoras”, que entreguem os seus resíduos no ecocentro. Da recomendação do PS constavam ainda o reforço da rede de ecopontos, contentores enterrados e semienterrados em todo o concelho, o desenvolvimento do Programa Regular de Controlo de Pragas nas áreas urbanas, e a colocação, em todo o concelho, de “Ecopontas”, “Papachicletes” e dispensadores de sacos para recolha de dejetos caninos, principalmente nas áreas de recreio e lazer. Por último, Dora Gaspar chamou a atenção para a importância do cumprimento da regulamentação de depósito e recolha de resíduos, atribuindo ao Executivo a responsabilidade pela prática de uma política que deve ser “fiscalizadora e atuante”. Uma recomendação que foi mais tarde transformada em comunicado e endereçado à Comunicação Social.

Victor Hugo Salgado apelidou Recomendação como sendo “oportunista”

“Mas porque é que o PS não apresentou e executou estas medidas quando estava no poder?”, perguntou o presidente da Câmara Municipal de Vizela (CMV). Victor Hugo Salgado acusou o PS “de tentar colar-se” às iniciativas do Executivo, tentando fazer passar a ideia de que se as mesmas existem é porque foram ideia dos socialistas. Isto porque a Recomendação surgiu esta terça-feira, no dia em que seria apresentado, pela CMV, o programa “Vizela Mais Limpa”. Dora Gaspar tem um entendimento diferente: “Diz que houve agora a oportunidade de apresentar esta Recomendação e que a mesma surgiu porque os vereadores [Agostinha Freitas e Jorge Pedrosa] não souberam na última edição do Antena Democrática [da Rádio Vizela] dar respostas consistentes sobre esta matéria”.

Ao que a vereadora do PS apelidou de “oportunidade”, Victor Hugo Salgado chamou de oportunismo, afirmando que as respostas dadas pelos vereadores do Executivo eram as que tinham de ser dadas naquele momento e que a restante informação seria apresentada esta terça-feira.

Primeira fase contempla implementação de 120 contentores

Segundo o presidente da CMV, substituir o sistema atual de recolha de resíduos urbanos pela contentorização, representará agora um investimento de cerca de 525 mil euros. Até ao próximo mês de dezembro, a CMV compromete-se a instalar 54 contentores enterrados no centro da cidade (286.200 euros), sendo o sistema de recolha de resíduos urbanos misto, ou seja, contentores e porta a porta.

Entretanto, até março de 2019, a autarquia prevê instalar 66 contentores semienterrados em todas as freguesias (237.600 euros), estando também previsto, neste caso, um sistema de recolha de resíduos misto.

No decorrer da reunião, Victor Hugo Salgado realçou ainda o facto de que a implementação da contentorização irá permitir uma redução com os custos de recolha, estimando-se uma poupança de um milhão de euros em 10 anos.

No entanto, Dora Gaspar veio dizer que a primeira proposta apresentada e deliberada pelo Executivo e Assembleia Municipal previa a execução do projeto na sua globalidade e não por fases, criticando o facto da mesma “ser protelada até 2023”, ou seja, para além do mandato do atual Executivo. “Fazia sentido um concurso público único para a contentorização do lixo. Por isso, falar nos ganhos de maximização do concurso lançado à parte é uma contradição, para não chamar uma mentira, porque o concurso púbico poderia ser lançado por lotes. Não compreendemos esta estratégia de separar os procedimentos e de os prolongar no tempo, quando aprovamos por unanimidade a locação de 800 mil euros para a cobertura total e imediata em regime de contentorização. O que esconde [o Executivo] é que a mesma obrigaria ao visto do Tribunal de Contas, a um empréstimo financeiro e a um aumento da dívida”, atirou a vereadora do PS.

O presidente da CMV admitiu que optou por outra solução para que a autarquia não fosse obrigada a recorrer um empréstimo bancário. Disse acreditar que a poupança efetuada permitirá executar novo investimento nesta área sem recurso à banca e, consequentemente, sem pagamento de juros. “Neste momento, a CMV não tem disponibilidade financeira para fazer a contentorização total, tendo decidido fazê-la por fases. Vamos fazer a contentorização no centro urbano, porque é aqui que vamos ter a poupança. As recolhas passam de 6 para 3 vezes por semana, sendo que ao final de 3 anos será criada uma mais valia financeira que permitirá a contentorização na sua totalidade”, explicou. E acrescentou: “Também não podíamos avançar com uma contentorização total nas freguesias [onde as recolhas já se realizam 3 vezes por semana] sem uma fase de adaptação e, por isso, resolvemos remover todos os contentores de superfície e colocar 66 semienterrados para começar a criar hábitos, de forma a também podermos aqui, num espaço de 3 anos, concluir a contentorização”.

Fátima Andrade diz que contentorização já vem tarde

Sobre a contentorização do lixo também se pronunciou, no final, a vereadora Fátima Andrade, em declarações à Rádio Vizela: “Só tenho pena que isto não tivesse sido feito antes, porque a limpeza de uma cidade está associada à saúde das suas populações, transformando-se num lugar mais atrativo para quem a visita”. “Espero que este processo tenha uma continuidade, ou seja, que não se faça marcha-atrás. É um gasto necessário”, acrescentou a responsável, salientando a importância da realização de campanhas de sensibilização, a começar pelas escolas.

De referir que na sessão da terça-feira foi ainda aprovada por maioria - Dora Gaspar absteve-se - a proposta de pedido de autorização para a abertura de procedimento e realização de despesa para aquisição de serviço de recolha de resíduos sólidos urbanos indiferenciados, bem como de “monos e monstros”, e transporte destes a destino final e serviços complementares. Um procedimento que tem por preço base de 2 milhões e 800 mil euros e que prevê um contrato com duração de 8 anos + 2.