Centro Qualifica dá formação de Português a imigrantes

A primeira aula deste curso teve ontem lugar e a Rádio Vizela assistiu a uma parte da formação.

O Centro Qualifica de Vizela, que funciona nas instalações da Escola Secundária, está a dar uma formação de Português para falantes de outras línguas. Luís Vila, responsável pelo Centro Qualifica de Vizela, explicou que este curso para adultos surgiu no ano passado, depois de o centro ter sido contactado por uma empresa da região para que os seus colaboradores, estrangeiros, aprendessem a falar português. Aprender a língua de Camões é uma das imposições para que obtenham autorização para residir em Portugal.

À partida, admitiu o responsável, “este era um formato que não [nos] dizia grande coisa”. “Fizemos a primeira experiência no ano passado e [acabou por ser] muito interessante, por isso este ano estamos a repetir esta experiência”.

Neste ano letivo estão inscritos 30 alunos que vêm de vários pontos do globo, sobretudo, da Ásia. São pessoas do Nepal, da Índia, do Bangladesh, mas também há um inscrito da Guiné. Esta multiculturalidade, referiu o docente, “traz um colorido diferente à escola”.

 

Formação termina em meados de abril de 2018

 

O curso tem a duração de 150 horas, funciona em horário noturno, três vezes por semana, pelo que o seu encerramento está previsto para meados de abril. “Saem a falar o básico, porque 150 horas é muito pouco para aprender a falar fluentemente português”, explicou o responsável pelo Centro Qualifica de Vizela.

Com toda esta multiculturalidade há situações diferentes a acontecer no dia a dia, explicou o docente: “No ano passado achámos curioso o facto de eles saírem a meio da formação, porque eram de origem árabe, para fazer as suas orações, levavam o seu tapete para o jardim, voltavam-se para Meca e rezavam. Os professores não dizem nada, deixam sair, eles fazem as suas orações e regressam à aula sem incomodar ninguém”.

 

Formandos estrangeiros vieram em busca de melhores condições de vida

 

Os formandos estão a trabalhar na agricultura, na apanha de frutos silvestres, numa empresa de Moreira de Cónegos. Na quinta-feira, a Rádio Vizela ouviu alguns deles. Mohammad Forhad tem 33 anos de idade e veio do Bangladesh. Está em Portugal há três anos e meio e já sabe dizer algumas frases em português. Por terras lusas já passou por Faro, Tavira e Odemira, sempre a trabalhar na agricultura. Agora está aqui no norte e confessa que está a gostar. “Gosto mais de Braga, de Guimarães, mas de Lisboa não gosto tanto”. Mohammad Forhad disse que não há muitas diferenças entre o seu país e Portugal, com exceção do clima: “A comida é mais ou menos igual, só o tempo é que é diferente. Aqui o frio é mais intenso, mas a chuva e o calor são iguais”. Já foi visitar a sua família no Bangladesh este ano, entre março e maio, e em breve a sua mulher e a filha vêm juntar-se a si.

Mohammad Shapon Chodhury também é natural do Bangladesh e está em Portugal desde dezembro de 2015. Com 30 anos de idade, esta não é a sua primeira experiência no estrangeiro: “Estive antes na África do Sul, estive lá dez anos e meio. Depois fui para a Alemanha, depois estive a visitar Barcelona durante duas semanas até que vim para Lisboa. O que o fez sair do Bangladesh foi a procura de melhores condições de vida e que a opção por Portugal se deveu ao nível de vida, que não é tão caro quanto outros países por onde passou: “Dá para viver, não é um país caro, além do mais, as pessoas são simpáticas, não se sente racismo como se vê noutros locais. É um país estável”.

Já Mingma Dolma Tamang é natural do Nepal e tem 30 anos. Veio para Portugal com o marido, há cerca de nove meses, e refere que gostaria de ficar a residir aqui: “Gostaria de ficar aqui. É um país bonito e, até ao momento, gostei de Braga, Guimarães e Lisboa”.

 

Uma reportagem para acompanhar na íntegra na próxima edição do RVJornal