Capitão Fausto: “Continuamos fiéis à nossa música”

Os “Capitão Fausto” vão apresentar ao vivo o seu disco “Capitão Fausto Têm os Dias Contados” esta sexta-feira.

Concerto tem lugar pelas 22h00, no Centro de Artes e Espetáculo de Guimarães, o São Mamede. A Rádio Vizela esteve  à conversa com o baixista da banda rock de Lisboa. Domingos Coimbra veio provar que a simplicidade com que os Capitão Fausto se descrevem desarma qualquer um.

RVJornal (RVJ) – O que é que o público pode esperar deste concerto em Guimarães, no qual será apresentado ao vivo o disco “Capitão Fausto - Têm os dias contados”?

Domingos Coimbra (DC) – Nesta digressão pelos teatros e auditórios, além de tocarmos este último álbum, achamos por bem incluir canções do “Gazela” e do “Pesar o Sol”. Acho que será também um espetáculo interessante em termos do trabalho de luzes que está a ser preparado. Para nós também está a ser diferente, porque normalmente o nosso público está de pé, quando agora iremos tocar para uma plateia sentada.

RVJ – Mas é verdade que os “Capitão Fausto” têm os dias contados?

DC – Pergunto-lhe antes a si. Acha que temos os dias contados? (risos…) Mas não, não acho que temos os dias contados. O nome do disco está mais relacionado com a temática deste novo álbum do que com o futuro da banda. As letras do Tomás falam um pouco do fim de um ciclo e do início de um outro. No início do projeto repartíamos o nosso tempo pela faculdade e pelos concertos mas agora damos por nós apenas a fazer música. Neste momento, somos uma banda que vive, única e exclusivamente, da música e acho que o disco fala um pouco dos medos associados a isso mesmo.

RVJ – Como é que tem sido a vossa caminhada desde 2011, altura em que apresentaram o álbum de estreia – “Gazela”?

DC – Se tivesse que fazer um balanço, diria que cada ano foi melhor que o anterior. E eu acho que isso é ótimo. Não poderia ser melhor. Com o “Gazela” chegámos a um determinado número de pessoas mas quando passamos para o “Pesar o Sol” conseguimos realizar vários concertos e até atuámos em festivais, onde sempre quisemos tocar, ou seja, chegámos a um público ainda maior. Agora, com o último disco fomos ainda mais longe. O nosso objetivo foi sempre chegar ao máximo de pessoas possível com a nossa música sem que fosse preciso alterá-la para esse mesmo fim. Continuamos fiéis à nossa música.

RVJ – Mas como é que foi o amadurecimento da banda com o “Pesar o Sol” em 2014? Foi aqui que os Capitão Fausto tiveram oportunidade de defender ao vivo tudo aquilo que vos marca pela diferença?

DC – Quando lançamos o “Pesar o Sol”, demos pelo menos 30 ou 40 concertos nesse ano e acho que é ao tocar ao vivo que uma banda encontra novas soluções, ou seja, o facto de termos tocado muito, ajudou-nos bastante a encontrar o nosso som e a música que queremos fazer, o que se veio a refletir agora no último álbum.

RVJ – Mas como é que podemos descrever este terceiro álbum?

DC – Sinto que neste disco quisemos dar uma importância maior às canções, tendo colocado nas mesmas o maior enfoque, o que resultou numa densidade interessante entre as músicas. Mas ficou um álbum relativamente curto, que é uma coisa que eu gosto nos discos, porque ouvem-se rapidamente.

RVJ – Este é um trabalho que tem um pouco de cada de um dos elementos dos “Capitão Fausto”?

DC – Sim. Nós sempre fizemos a músicas ao mesmo tempo, cada um faz um bocadinho a sua parte e depois o Tomás faz as letras.

RVJ – Sentem-se a voz de uma geração?

DC – Não sei bem… Só se for neste sentido: hoje em dia tenho conhecido alguns miúdos que começaram a tocar e a ter bandas depois de conhecerem os “Capitão Fausto”. O facto de gostarem da nossa banda deu-lhes o impulso necessário para fazerem música em português. Só se for por aí, porque de resto, não me sinto, de todos, uma das vozes de uma geração.

RVJ – O que é que distingue os Capitão Fausto de outras bandas portuguesas?

DC – Não sei, acho que somos diferentes… Sei lá… É um som diferente. E o que podem esperar da nossa música é que nela resida uma quantidade enorme de trabalho da nossa parte.

Levamos muito a sério as canções que elaboramos para que as pessoas que nos ouvem sintam que estão perante músicos que gostam daquilo que fazem e que têm realmente interesse pelas canções. Mas isso é algo que eu acho que até é transversal a grande parte das bandas, por isso, a sua pergunta é difícil de responder.

RVJ – O que se segue na vida dos “Capitão Fausto”?

DC – Agora vamos acabar a digressão de teatros e dos auditórios, depois teremos concertos nos Festivais de verão e não só.

Entretanto, já estamos a fazer canções novas. A ideia é continuar sempre a trabalhar.

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