“A minha palavra vale muito e não gosto de falhar"

Nuno Faria foi o convidado da edição de 31 de outubro do Corta e Prega da Rádio Vizela.

Nuno Faria é um dos rostos mais conhecidos da Comissão de Festas da Cidade mas é também deputado do PS na Assembleia de Freguesia de Caldas de Vizela. Atividades que concilia com a sua vida profissional – a gestão de uma empresa têxtil. 

RVJornal (RVJ) – Há pouco dizias que és um livro aberto…

Nuno Faria (NF) - Não tenho segredos. O que tiver a dizer digo, é um dos meus defeitos. Não escondo.

RVJ - Mas isso é um defeito ou uma virtude?

NF - Para mim é um defeito porque, por vezes, digo coisas que magoam outras pessoas. Apesar de que, às vezes, passados cinco minutos, estas conseguem admitir que aquilo que eu disse é uma realidade e me agradecem por eu o ter feito.

RVJ - O que é que representa para ti ser conhecido como Nuno Cró?

NF - É um orgulho. Cró é o nome que é atribuído ao meu pai, o Berto Cró, e é um orgulho ser filho de quem sou.

RVJ - O que é que herdaste dos teus pais?

NF – Frontalidade e educação extrema. Aprendi muito com o meu pai não só na empresa como em tudo o que é a vida. Os meus valores devo-os a ele e à minha mãe.

RVJ - Moraste desde sempre no alto de S. João ou a tua infância ainda passou pelo centro da cidade, pela Rua das Termas?

NF - A minha infância foi vivida na Rua das Termas e no Parque da Companhia, como lhe chamávamos na altura, onde jogávamos à bola e convivíamos com o povo que vivia no centro, como o Zé do Casino. O nosso refúgio eram as Termas.

RVJ – Mas depois foste viver para o alto de S. João, onde resides ainda hoje, um local privilegiado com uma vista muito bonita…

NF - Uma vista deslumbrante e é um sossego.

RVJ - Faz-te bem os silêncios da “Quintinha”?

NF – Faz-me muito bem porque, por vezes, nem tudo corre bem e eu sou daquelas pessoas que não gosto de levar o trabalho para casa, nem de querer chatear a minha mulher com os meus problemas, porque são meus e eu é que os tenho de resolver. Muitas vezes, sento-me cá fora no meio da natureza, a pensar como os posso solucionar.

RVJ - E como é que era o Nuno pequenino? Já era grande?

NF - Já era grande. Toda a gente dizia: “matulão, sai ao pai”. Era traquina, mas não tanto como o meu irmão. Volta e meia chegava um colega com uma mochila a casa, dizendo: “O Ricardo foi para o hospital, partiu um braço”. Era o pão nosso de cada dia. Ele é o mais velho, o meu defensor, ainda hoje o é. Também fui sempre muito brincalhão com toda a gente e sempre tive muitos amigos. Nunca fui muito de chutar à bola, gosto muito de futebol, mas nunca tive aquela habilidade. Sempre fui gordinho. Aliás, o meu irmão ainda hoje tem o apelido de “Gordilho”. Mas ele agora é o oposto, eu até digo que é meu meio irmão, passou dos 150 para os 70 quilos.  Costumo dizer que o outro meio desapareceu. Agora passei eu a ser o “Gordilho” e ele o “Magrilho”. Para mim o meu irmão é tudo. Se precisar de alguma eu estou ao lado dele e se for o contrário é o primeiro a fazê-lo, nem que tenha de fazer 1000 quilómetros.

RVJ - Como é que te lançaste, com ele, para o projeto do “Maquias Bar”?

NF – No lançamento estiveram mais o meu irmão e o meu primo Toni. Eu fui atrás deles, auxiliando-os. Abria o café durante a semana, fazia as encomendas, as compras. Já ao fim de semana trabalhava no bar. Eles eram as caras do “Maquias” e eu estava ali para o que desse e viesse.

RVJ - Na altura estavam preparados para a dimensão que o “Maquias” acabou por tomar naquele tempo?

NF – Não. A era do “Maquias” foi a que revolucionou, praticamente, Vizela. Abriu em 1997. O Park Club terá aberto dois anos depois. Na altura, havia desde o “Nova Cultura”, o “Morgados Bar”, a “Romana” e outros bares mais pequenos. Mas acabaram por encerrar, porque o Maquias ganhou uma dimensão muito grande. Conseguimos pagar todo o investimento no primeiro ano.

RVJ - E depois como é que se deu a tua aproximação à Comissão de Festas?

NF – Ainda antes de assumirmos a Comissão, eu já ajudava a organização. Mas foi quando o meu amigo João me abordou para perceber se podia contar comigo, porque tinha recebido um projeto da Câmara com o objetivo de que as Festas não terminassem, que passei a integrar a Comissão de Festas. Foi no ano em que nasceu a minha filha e, por isso, falei com a minha mulher, ao que ela me respondeu: “se o pedido é do João e é para ajudar, estou do teu lado”. Avançámos e as Festas estão hoje na dimensão que todos conhecem. Tenho uma amizade enorme pelo João, nem a política nos afastou. Costuma dizer que eu sou doido, que fecho a minha empresa a 02 ou 03 de agosto para tratar das Festas.

RVJ - Este ano, no final das Festas, deixaste as pessoas a pensar, quando depois de fazeres o balanço, escreveste “até um dia”…

NF - Vou dar a resposta que dei ao João que, no mesmo minuto em que fiz aquela publicação, me mandou uma mensagem a perguntar: “despedida por uma rede social?” e à qual eu respondi: “eu só disse até a um dia, aonde tu fores eu vou”.

RVJ – A tua entrada na política aconteceu de forma inesperada ou já esperavas alargar a tua participação cívica nesta terra que te viu nascer?

NF- Foi inesperada, porque nunca tive ambição política. Nem tenho a intenção de fazer da política o meu futuro. Quando me candidatei à Junta de Freguesia nunca disse, que, se vencesse, assumiria o cargo a tempo inteiro. Não o poderia fazer, porque estaria a mentir e se há coisa que eu não gosto é de faltar com a palavra. Eu tenho de levar a minha empresa para a frente, é do meu trabalho, que sobrevivo. O objetivo da minha candidatura pelo PS foi de integrar um projeto por um bem comum, para melhorar a cidade. Aceitei o desafio, do qual não me arrependo nada.

RVJ – E de repente deste por ti no projeto do PS e o teu grande amigo João no do Movimento Vizela Sempre…

NF - Foi uma das primeiras pessoas a quem disse que seria candidato. Se, na altura, o João fosse candidato à Junta de Freguesia pelo Movimento, eu não teria aceite o convite. Não ia combater contra ele.

RVJ – Tens perfil para político?

NF – Sou muito sério, muito verdadeiro e não consigo prometer uma coisa que não sei se consigo fazer. A minha palavra vale muito e não gosto de falhar com ninguém.  Se tenho perfil? Sim e tenho em casa um mestre, o meu pai sempre andou nas andanças da política. Quando soube que eu seria candidato pelo Partido Socialista, disse que achava muito bem, porque a política precisa, na sua opinião, de sangue novo. Continua a ser o meu conselheiro.

RVJ – Ao nível profissional, geres uma empresa têxtil. O que fazes precisamente no teu dia a dia? Já disseste que te levantas às 05h00 da manhã…

NF – É uma empresa familiar com três funcionários. Mas é uma máquina. Entra uma bobine de fio e sai um pano feito. É sempre a produzir. Surgem problemas, mas temos de os resolver e, como somos poucos, tenho de me desdobrar. Mas nós temos de levar a vida com trabalho, pois sem ele, não chegamos a lado nenhum. Aliás, hoje é dia de embarque, quando sair daqui vou carregar um camião para ir para França. Tenho 40 anos feitos este ano e 24 de descontos no têxtil.

RVJ – Como é que apresentarias Vizela a um amigo?

NF – A melhor cidade do mundo.

RVJ – Qual é a tua relação com o FC Vizela?

NF – Apaixonada.

RVJ – Entretanto, já disseste que a tua companheira de vida, a Sónia, é o teu porto de abrigo…

NF – É a minha mais que tudo. E a minha filha é minha mais que tudo número 2. É o meu orgulho. É bastante parecida comigo. Até no feitio. É teimosa, frontal, o que tiver de dizer, diz. É impossível ter segredos com ela (risos)…

RVJ – As três melhores viagens…

NF – Brasil, República Dominicana e Malta.

RVJ – E os três concertos…

NF – Scorpions, Ana Moura e Mariza.

RVJ – À mesa, gostas de…

NF – De tudo. Uma comida rápida? Panados com arroz de feijão.

RVJ – Não há dieta…

NF – Durante a semana, mas depois estrago ao fim de semana.

RVJ – Nos tempos livres, não dispensas…

NF – Uma boa companhia.

RVJ – O que não toleras…

NF – Mentira.

RVJ – O que te deixa triste…

NF – Ingratidão.

RVJ – E mais feliz…

NF – Um ombro amigo.

RVJ – E o que te provoca adrenalina…

NF – As Festas.